Muitas mudanças num ano inesquecível

Muitos portugueses que festejaram há dias o 37.º aniversário da Revolução dos Cravos não imaginam que 1974 foi ano de mudanças em vários outros países.

1974 foi um ano-chave em Portugal: a 25 de Abril caiu um regime, já velho aos 48 anos, e nasceu outro. Mas o que muitos portugueses que há poucos dias festejaram o 37.º aniversário da Revolução dos Cravos talvez não saibam é que 1974 foi um ano que decorreu sob o signo da mudança em palcos políticos das mais diversas latitudes. Desde logo, nos EUA: a 9 de Agosto, pela primeira - e única - vez na história do país, um presidente renunciava ao cargo. Acossado pelo caso Watergate, Richard Nixon dava lugar a Gerald Ford.

Quatro meses antes, a 2 de Abril, o luto instalara-se na política francesa: o presidente conservador Georges Pompidou falecia no exercício de funções, forçando a realização de eleições, que viriam a ser ganhas pelo centrista Valéry Giscard d'Eistang. Outro chefe do Estado falecido em funções (a 1 de Julho) foi Juan Perón, presidente da Argentina, que viria a ser substituído pela sua mulher, María Estela Perón.

Chegavam também abruptamente ao fim nesse ano os mandatos do chanceler social-democrata Willy Brandt (a 7 de Maio, devido a um escândalo de espionagem para a Alemanha de Leste, em que esteve envolvido um seu assessor) e da primeira-ministra israelita Golda Meir (a 3 de Junho). Brandt foi substituído por Helmut Schmidt, Golda deu lugar a Yitzhak Rabin.

Caía o imperador etíope Hailé Selassié (derrubado por um golpe a 12 de Setembro). Constantin Karamanlis emergia em Novembro como líder da Grécia democrática, pondo fim à ditadura dos coronéis, após a fracassada intervenção de Atenas em Chipre (que em Julho derrubou o presidente cipriota, arcebispo Makarios, e levou a Turquia a ocupar o Norte da ilha até hoje). Houve uma rotação de generais no Brasil (a 15 de Março, Ernesto Geisel substituía Emílio Medici no Palácio do Planalto). O primeiro-ministro japonês Kakuei Tanaka viu-se forçado a cessar funções (9 de Dezembro). E também no Reino Unido, as legislativas de 28 de Fevereiro ditaram a vitória do trabalhista Harold Wilson, derrotando o conservador Edward Heath.

Poucos anos no século XX foram tão férteis em transformações políticas. Não tão radicais como as de 1918, 1945 ou 1989, mas suficientes para deixarem marca na história.

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