O homem da dança que se apaixonou por Portugal

Chegou com uma carreira consolidada além- -fronteiras e foi ficando. Diz que foi difícil a adaptação e que pensou em ir embora. Adora os portugueses e a cidade que o acolheu: Lisboa.

Nasceu na capital transalpina em 1966 e cedo iniciou o seu percurso na dança, em 1980, ano em que começou a estudar esta forma de arte, a sua grande paixão. Terminada a formação, dividida entre a Academia Nacional de Dança Clássica de Itália e as conceituadas escolas de Debbie Reynolds e Joe Tremaine, em Los Angeles, Marco de Camillis torna-se bailarino profissional em 1984 e começa a dar os primeiros passos na televisão italiana. Anos mais tarde, já com uma carreira cimentada no seu país, chega a Portugal e à TV portuguesa.

"O primeiro contacto que tive com Portugal deu-se na altura de um programa apresentado pelo Rogério Samora, chamado Número Um. Era um formato italiano, comprado pela SIC e cuja parte artística era toda italiana. Vim como assistente de coreógrafo e bailarino", recorda Marco de Camillis.

Um ano depois voltaram a chamá-lo para uma gala de uma conhecida revista de social, transmitida pela SIC. "Foi a última vez que dancei como profissional", frisa. Surgiu então a oportunidade "de fazer o Chuva de Estrelas com a Bárbara Guimarães". A série de trabalhos esporádicos deram-lhe visibilidade e acabaram por lhe valer outros convites para trabalhar em Portugal, acabando por assentar arraiais por cá.

O choque com uma cultura diferente, admite, foi grande: "Quando cheguei não foi fácil. A maneira de trabalhar é muito diferente de Itália ou Espanha. Os bailarinos eram pouco profissionais, chegavam atrasados e eram pouco reconhecidos. Eu tinha contrato de três meses com a SIC, e pensei: 'Quando isto acabar vou-me embora.' Mas depois apostei comigo mesmo que ia ficar para mudar isso e ajudá-los a serem mais profissionais. E assim foi." A determinação e a exigência são, de resto, duas das suas principais características, reconhecem ao DN Catarina Furtado, Sílvia Alberto e Sónia Araújo, que com ele trabalharam no Dança Comigo, da RTP.

A ligação ao nosso país foi crescendo, e hoje Marco de Camillis desfaz-se em elogios à terra que o acolheu. "Sinto que aqui as pessoas ajudam-se umas às outras sem procurarem algo em troca, o que é difícil encontrar noutro país da Europa", explica, rendido também à capital portuguesa, onde vive: "Gosto muito de Lisboa, tem um fascínio, um encanto..."

Em Portugal, o coreógrafo italiano sente-se reconhecido. "As pessoas na rua dizem--me que gostam do meu trabalho, e isso é tudo", diz, sem esconder o orgulho. E revela uma curiosidade: "Eu não queria abrir uma página no Facebook, mas convenceram-me. Dois meses depois tive de fechar a página da rede social e criar outra porque tinha lá cinco mil pessoas!"

Completamente adaptado a Portugal e à nossa realidade, Marco de Camillis admite que já tem uma costela portuguesa. "Claro que me sinto um pouco português! Quando fui com a Sónia Araújo à final internacional do Dança Comigo senti muito orgulho em representar Portugal!"

Desiludido com o país natal, nem por isso deixa de o visitar. Mas pouco. "Vou a Roma no Natal, mas sempre um pouco a correr. Normalmente vou num dia e venho no outro. Não me reconheço no meu país, politicamente está um caos. Os italianos não se reconhecem nesta classe política, perderam o sorriso e a boa disposição que os caracterizava", lamenta o homem da dança que um dia se apaixonou por Portugal e pelos portugueses e que por cá ficou a morar.

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