O garoto enfezado que encantou o maracanã

Tem raízes familiares entre Oliveira de Azeméis e Tondela. 'Pelé branco', como foi apelidado no Brasil, herdou do pai a simpatia pelo Sporting.

Diz-se dele que foi o primeiro craque brasileiro fabricado em laboratório. De facto, no final dos anos 60, o médico do Flamengo, Chaves Filho, encontrou um adolescente franzino e fisicamente nada prometedor. Diz o relato: "Os dentes chegaram a um estado pavoroso, as amígdalas não estão melhores, tem um quisto na cara que lhe provoca complexos e é, em geral, um garoto enfezado." Mas já então se percebia que o que faltava em físico sobrava em talento e carisma. Por isso, o Flamengo apostou: os anos seguintes foram dedicados a fazer crescer o rapaz. Primeiro, dieta alimentar e hormonas e, dois anos mais tarde, desenvolvimento muscular e aumento da capacidade torácica. Aos 20 anos, Zico estava pronto.

Arthur Antunes Coimbra nasceu a 3 de Março de 1953 no Rio de Janeiro e foi o líder carismático do Flamengo nas décadas de 1970 e 1980. Conquistou a Taça Libertadores da América, Taça Intercontinental e quatro títulos do Campeonato Brasileiro. Anos de ouro, com a chamada à selecção canarinha nos mundiais da Argentina 1978, Espanha 1982 e México 1986. Foi considerado o maior jogador da história do Flamengo e o maior futebolista brasileiro desde Pelé. "O Pelé branco", chamavam-lhe.

Maior marcador da história do estádio do Maracanã, com 333 golos em 435 partidas, Zico foi eleito como o terceiro maior futebolista brasileiro do século passado, segundo a Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS). É um dos quatro brasileiros a figurar no "Hall of fame" da FIFA, com Pelé, Garrincha e Didi.

Um percurso que foi tendo especial eco em Portugal. Zico descende de portugueses. O seu avô materno, Arthur Ferreira da Costa Silva, nascido em Oliveira de Azeméis, emigrou para o Brasil em finais do século XIX. No Rio de Janeiro, mais exactamente no Bairro Quintino, criou um fábrica de cerâmica e construiu família. A mãe de Zico, Matilde Ferreira da Costa Silva, nasceu já no Brasil. Pois também pelo lado paterno a origem está do lado de cá. O avô, Fernando Antunes Coimbra, nasceu e viveu a maior parte da sua vida em Tondela. Foi aí que nasceu, em 1901, José Antunes Coimbra, pai de Zico . A família emigrou para o Brasil tinha ele apenas dez anos. Mas nunca cortou o laço a Portugal nem perdeu a paixão pelo Sporting. Do casamento com Matilde nasceram seis filhos.

Zico nasceu na Rua Lucinda Barbosa, número 7, em Quintino, de parto natural. Ficou com o nome do avô, Arthur , que ainda hoje tem familiares em Molelos, a aldeia do barro negro, perto de Tondela. Família que Zico conheceu quando a contratação do filho Thiago pelo Portimonenses o trouxe a Portugal.

A carreira de Zico começou numa equipa de futebol de salão, o Juventude de Quintino, e no Ríver Futebol Clube, um clube da Piedade. Foi aí que, mesmo franzino, chamou a atenção. Nomeadamente do Flamengo. Depois do investimento, em 1978, o clube recebia o retorno vivendo uma das melhores fases da sua história - com Zico, tecnicamente perfeito, ao comando. Chamaria a atenção de Itália, onde escolheria a Udinese. A transferência custou aos italianos quatro milhões de dólares - recorde pago até então no país por um jogador.

Em 1994, a jogar no Japão, encerrou a longa carreira. Começava a de treinador. Depois de uma passagem pela selecção do Japão, Zico foi contratado para treinar a equipa turca do Fenerbahçe.

Regressou a casa a convite da presidente do Flamengo, Patrícia Amorim. A 30 de Maio de 2010, Zico toma posse como director executivo de futebol do clube. Demitiu-se a 1 de Outubro de 2010 alegando pressões. Actualmente é comentador desportivo no Brasil e estreou a 28 de Abril o seu próprio programa na televisão: Zico da Área. O sítio certo e onde raramente falhou.

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