LUAR: do assalto a consulados à tentativa de ocupar a Covilhã

Hermínio da Palma Inácio distinguiu-se no panorama da oposição à ditadura pela defesa (e prática) da acção directa. Em 19 de Junho de 1967, sob a sua liderança, foi fundada em Paris a Liga de Unidade e Acção Revolucionária. A fundação ocorreu cerca de um mês depois do famoso assalto, comandado pelo revolucionário, à dependência do Banco de Portugal na Figueira da Foz. Roubaram 29 mil contos e depois houve grande polémica sobre o destino do dinheiro. Os assaltantes escaparam num pequeno avião estacionado em Cernache. Da fundação da LUAR fizeram também parte Camilo Mortágua e Fernando Pereira Marques, que viria depois do 25 de Abril a ser deputado do PS. O assalto ao banco foi na verdade a primeira acção armada de grande alcance desencadeada pela oposição ao regime do Estado Novo. Em 1963 tinha sido criada, de uma dissidência do PCP, a FAP (Frente de Acção Popular) mas a PIDE destroçou-a, impedindo-a de actuar. A LUAR levou a cabo várias acções no estrangeiro, nomeadamente assaltos a consulados, para roubar passaportes e carimbos. Ensaiou ainda ocupar a cidade da Covilhã mas a operação falhou. Camilo Mortágua, fundador da LUAR, tinha participado em 1961 noutra espectacular acção de denúncia do regime, o assalto ao paquete Santa Maria. No início dos anos 70 Palma Inácio e outros militantes da organização foram presos. A LUAR deixou de actuar. O revolucionário foi libertado de Caxias em 25 de Abril de 1974.

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