"Deu-me um trabalhão cá chegar!"

Começou por brilhar na ficção nacional, mas foi além-fronteiras que atingiu estatuto de estrela. A viver em Los Angeles, não esconde as muitas saudades da família e do 'seu' Portugal.

Os anos mais importantes do meu desenvolvimento foram passados em Portugal, e este é o sítio a que chamo o meu primeiro lar." A afirmação é de Daniela Ruah. A actriz não nasceu em território luso e viveu os cinco primeiros anos na sua terra natal, Boston. Regressou aos EUA em 2007, onde ainda mora. Sem se permitir deslumbrar com o glamour de Hollywood, avança orgulhosa: "Sou e serei sempre portuguesa." Uma portuguesa que, "com estudo, trabalho, esforço e sorte", como a própria confessou ao DN, tem conseguido realizar o sonho de uma carreira internacional na representação. "Deu-me um trabalhão cá chegar!", desabafou ao nosso jornal.

Daniela Sofia Korn Ruah nasceu a 2 de Dezembro de 1983 naquela cidade de Massachusetts, nos EUA, onde o pai, Moisés Ruah, era cirurgião-chefe de Otorrinolaringologia no Hospital Universitário. Mudouse para Portugal aos cinco anos e ingressou no St. Julians School, em Carcavelos. A mãe, Catarina Korn, também é médica, mas especializada em Audiologia. Assistir às operações que Moisés fazia de urgência determinou que, ainda hoje, sinta "um certo fascínio pela anatomia humana e pela genialidade de como funcionamos".

Esta é apenas uma das muitas características que a actriz reconhece ter recebido da família. Descendente de judeus, vê na religião "uma herança". "O judaísmo é uma coisa que me corre nas veias", justifica. O seu nome significa, em hebraico, "Deus é meu juiz", e o apelido traduz-se, na mesma língua, por "espírito", "vento" ou "sopro". Um significado que Daniela Ruah assume como seu e com o qual se identifica, porque, admite, não gosta de permanecer "muito tempo no mesmo sítio".

Mulher de personalidade forte e propósitos bem estipulados, é a persistência que domina a sua vida. "Quando tenho um objectivo, é raro não ir atrás dele até conseguir atingi-lo. Mas não vou relaxar só por ter conseguido alguma coisa. Há sempre espaço para melhorar e para novos projectos", sustenta. E já aos 16 anos Daniela sabia o que queria. Nessa altura, o "sonho era acabar o liceu, ir para Londres, Nova Iorque, Hollywood, ganhar um Óscar...". Se algo a faz reconsiderar, só mesmo as saudades da família. "É a única coisa que me faz duvidar das escolhas que fiz", reconhece.

A primeira oportunidade como actriz surgiu exactamente com essa idade, na novela da TVI Jardins Proibidos, à qual se seguiu Filha do Mar. Então com 18 anos, mudou- -se para Londres, onde frequentou o curso de Artes de Representação na Universidade Metropolitana. Cinco anos mais tarde, regressou às novelas, em Portugal, com Dei-te Quase Tudo. Ainda em 2005, aventurou-se na apresentação, dando a cara pelo magazine de cinema Cinebox. Depois de ser protagonista de Tu e Eu (2006-2007), a sua última novela, e de ter vencido o concurso da RTP1 Dança Comigo, mudou-se para Nova Iorque, EUA, para estudar representação no The Lee Strasberg Theatre and Film Institute.

O ano de 2009 foi especial: Daniela Ruah participou em dois episódios de Investigação Criminal, entrou para o elenco principal da sua spin-off, Investigação Criminal: Los Angeles, e fez parte do elenco do filme Red Tails, cuja data de estreia está por anunciar.

Vive em terras do Tio Sam, mas tem os portugueses no coração. "Sempre mostraram apreciação pelo meu trabalho, e isso deu-me grande parte da confiança que tenho e preciso para estar aqui agora." E não se esquece de partilhar o País com os norte-americanos: "Pelo menos, os que me conhecem sabem onde fica Portugal!"

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