Forte de Peniche: de prisão política a museu

O governo português pretende transformar a antiga prisão política da fortaleza de Peniche num museu que conserve as memórias e as experiências dos seus sobreviventes idosos. Entre janeiro de 1934 e abril de 1974 a polícia secreta PIDE enviava para o local os opositores ao Estado Novo. A inauguração do museu está prevista para abril de 2019.

Ana Bela FerreiraPatrícia JesusFilipe Garcia
Domingos Abrantes foi um dos reclusos desta prisão política. | foto REUTERS/Rafael Marchante
O ativista recordou a privação do sono, as variações extremas de temperatura e a chantagem emocional que ele e outros prisioneiros sofreram. | foto REUTERS/Rafael Marchante
"Passávamos 22 a 23 horas por dia dentro da cela e fomos muito punidos. Já visitei dezenas de escolas por todo o país (nas últimas décadas) e, quando conto a minha história, algumas crianças perguntam-me se isso realmente aconteceu", recordou Domingos Abrantes. | foto REUTERS/Rafael Marchante
Domingos Abrantes passou quase uma década da sua vida nesta fortaleza. | foto REUTERS/Rafael Marchante
Situada a cerca de 100 quilómetros a norte de Lisboa, esta era considerada a maior prisão do género durante o Estado Novo. | foto  REUTERS/Rafael Marchante
Estes fogões foram utilizados para confecionar as refeições. | foto REUTERS/Rafael Marchante
Uma caneca outrora utilizada pelos prisioneiros. | foto REUTERS/Rafael Marchante
Dentro desta fortaleza eram colocados os opositores ao regime Salazarista. A PIDE tinha o objetivo de os neutralizar. | foto REUTERS/Rafael Marchante
Segundo os sobreviventes, é fundamental as gerações mais jovens aprenderem sobre o sofrimento imposto pelo poder de António Salazar. | foto REUTERS/Rafael Marchante
O forte será reaberto em abril de 2019 como um museu dedicado à resistência anti-Salazar e à luta pela liberdade. | foto REUTERS/Rafael Marchante
A prisão funcionou entre 1934 e abril de 1974. | foto REUTERS/Rafael Marchante
Entre os reclusos desta prisão política incluíam-se Álvaro Cunhal, Vasco da Gama Fernandes, Agostinho Neto, Severiano Falcão, António Borges Coelho, Carlos Brito e Henrique Galvão. | foto REUTERS/Rafael Marchante
Em 1960 estes reclusos protagonizaram a famosa "Fuga de Peniche". | foto REUTERS/Rafael Marchante
"A melhor forma de respeitar a memória daqueles que se sacrificaram é garantir que o fascismo nunca retorne", disse Domingos Abrantes à agência Reuters. | foto REUTERS/Rafael Marchante
A fortaleza foi um dos principais objetivos dos militares revolucionários do 25 de Abril. Posteriormente, o local foi utilizado como abrigo para os retornados dos ex-territórios ultramarinos portugueses de África, aquando do processo de descolonização. | foto REUTERS/Rafael Marchante
"A extrema-direita está a crescer na Europa, por isso, agora é mais importante do que nunca contar às novas gerações sobre o que realmente aconteceu", explicou Domingos Abrantes. | foto REUTERS/Rafael Marchante
Aqui funcionou a sala de visitas da prisão política. | foto REUTERS/Rafael Marchante
"A liberdade é um direito humano, mas pode desaparecer", disse Paula Silva, diretora do Património Cultural, que irá administrar o museu a partir de abril de 2019. | foto REUTERS/Rafael Marchante