Conheça os três assaltos mais insólitos que podiam ter sido evitados

São muitas as manhas e truques dos assaltantes para levarem a cabo os roubos mais insólitos. Alguns deles parecem diretamente saídos de Hollywood.

Avós ousados
Não foi há muito tempo que um dos maiores assaltos da história londrina teve lugar, tendo como alvo o Hatton Garden. Pode ser surpreendente mas este assalto foi planeado, ao detalhe, durante três anos, por homens já com alguma idade (sim, estamos a falar de 70 anos para cima) e todos eles com uma vasta experiência em crimes deste tipo. O grupo conseguiu fazer um buraco que atravessou a parede de betão, para aceder ao cofre do banco, sem ninguém dar por conta e, tal como nos filmes entrou e saiu sem serem detetados. Levaram consigo 14 milhões de libras em joias, ouro e dinheiro. Mais tarde, algumas das mercadorias roubadas foram descobertas enterradas num cemitério, esconderijo improvável e outras nas casas dos protagonistas deste famoso assalto. Estes criativos avós e que deveriam estar já confortavelmente na reforma, foram condenados a penas até sete anos de prisão pela sua ousadia.

É claro que um cofre com uma tecnologia de vigilância e segurança mais avançado teria, decerto, evitado este roubo "de cabelos brancos".

Amigos, amigos. Negócios à parte
Já em 1992, França foi palco de um aparatoso assalto. Apesar de ter demorado apenas uns escassos 20 minutos, os ladrões conseguiram levar mais ou menos 160 milhões de francos, depois de ameaçarem ferozmente o guarda, atando-lhe explosivos ao corpo. Perante a pressão, o guarda acabou por ceder e abrir o cofre. Contaram com as informações privilegiadas de um empregado do banco - curiosamente, o mesmo que, mais tarde, os viria a denunciar. Dois meses depois, grande parte dos assaltantes já tinha sido detida. Porém, apenas uma pequena parte da quantia roubada foi recuperada. É caso para dizer que fazia falta a ação de uma patrulha pronta a intervir e além disso, funcionários mais confiáveis, que não compactuassem com criminosos.

Um Pai Natal super arrojado
Em 1927, deparamo-nos com um dos assaltos mais invulgares de todos. Durante a grande depressão, Marshall Ratliff era um conhecido assaltante que vivia no Texas. Depois de cumprir uma sentença, mal foi libertado, decidiu assaltar um banco com um disfarce, no mínimo, incoerente com a ação criminosa: um fato de Pai Natal. O assalto foi programado pelo grupo para o dia 23 de dezembro, de modo a que o disfarce não parecesse descabido.

Inclusivamente, algumas crianças começaram a seguir Ratliff e até entraram no banco atrás dele levando à risca o espírito da época. Ratliff, que fez alguns reféns, não conseguiu evitar que uma mulher a corresse a gritar, alertando a polícia que tomou de imediato medidas. Ratliff fugiu mas acabaria por ser preso novamente, ficando para a história pela sua forma invulgar de se disfarçar.

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