Esqueça o seu smartphone, a próxima grande tendência são as smart cities

Os meios urbanos estão lotados. O número de habitantes, serviços e construções tem vindo a ocupar, de forma exponencial, o lugar a que chamamos de "nossa" cidade. Mas para além de crescerem, estas cidades estão também a ficar mais inteligentes.

Fátima Casanova

O termo Smart Cities ou cidades inteligentes começou a surgir na sequência dos problemas sociais e ambientais que se refletem na eficiência energética, de transportes e de localização de serviços públicos e privados. E, tudo isto, para além de gastar os recursos de uma cidade, torna-se um obstáculo à qualidade de vida dos cidadãos.

As cidades inteligentes são aquelas que adotam políticas ativas e que utilizam a tecnologia para melhorar as infraestruturas urbanas e tornar os centros urbanos mais eficientes. A transformação digital nas cidades está a torná-las mais otimizadas para reduzir custos, aumentar a segurança, atrair investimentos e garantir a sustentabilidade - tanto ecológica como económica.

Em termos práticos, encontramos provas de uma smart city em exemplos como a iluminação pública, com sensores inteligentes que reagem ao movimento e que intensificam a luminosidade da rua quando existem pessoas a passar, mas que reduzem a luminosidade quando a rua está vazia, aumentando a eficiência energética e também a segurança.

Amesterdão é uma cidade pioneira na Europa no que diz respeito a este tema, especialmente quando o assunto é investir em tecnologia e sustentabilidade. A capital dos Países Baixos possui uma plataforma que oferece um sistema chamado "Technolution's Mobimaestro" e que permite o controlo de tráfego rodoviário em tempo real. Este sistema inteligente evita as vias interrompidas e as horas no trânsito.

As smart cities tentam fazer face à necessidade dos cidadãos se manterem contactáveis e ligados. Por isso, é fornecido Wi-Fi gratuito e abrangente em todo o território possibilitando que a população esteja cada vez mais envolvida na vida comunitária, além de assegurar uma maior proximidade entre os cidadãos e as autoridades locais.

Em 2017, Nova Iorque foi eleita a cidade mais inteligente do mundo pela IESE - Center for Globalization and Strategy. Uma das grandes medidas desta cidade foi lançar uma plataforma interativa, que converte sistemas telefónicos públicos antigos, para fornecer acesso à Internet a todos os residentes. Além de fornecer informações sobre os eventos locais de entretenimento que existem na cidade mais populosa dos Estados Unidos, a plataforma fornece ainda alertas de segurança para eventuais ataques, áreas de proteção ou até medidas de evacuação que ditam o resguardo dos habitantes.

A capital do Japão também é conhecida por ser a capital das novidades tecnológicas e futuristas. E isso inclui o desenvolvimento de inovações e medidas eficientes para aproveitar os recursos naturais e através deles armazenar a energia. E, cada consumidor é também um armazenista de energia. Através da ligação a uma smart grid é possível controlar a quantidade de energia utilizada pelos cidadãos e geri-la de forma a tornar os consumidores uma parte ativa das redes energéticas.

Os carros elétricos ou as power Wall são exemplos desta maximização de energia, isto porque se uma companhia produtora de eletricidade estiver num pico de produção, seja porque está a chover e há mais água nas barragens ou está muito vento e as turbinas eólicas estão em constante rotação, a empresa pode armazenar a energia no carro e na power wall dos consumidores. Mas se de repente o vento para ou as barragens estão vazias, a empresa produtora de eletricidade pode comprar de volta essa energia acumulada e canalizá-la para onde ela é necessária, utilizando inclusivamente a energia produzida por consumidores, por exemplo, através da microgeração de energia, com painéis solares, aproveitando estes recursos para fazer uma gestão muito mais eficaz dos recursos energéticos.

Estas medidas inteligentes, que começam a ser estudadas e implementadas para fazer face à grande procura urbana, que se espera vir a aumentar ainda mais até 2050, serão muito possivelmente a chave para que as mega cidades se tornem verdadeiramente espaços de oportunidade, e não um teste à resiliência dos seus habitantes.