A "Internet das coisas" torna-nos mais humanos?

Se é daquelas pessoas que vê mais desvantagens do que benefícios no crescente boom tecnológico, tentamos convencê-lo do sunny side of the street deste trilho que a sociedade, inevitavelmente, percorre.

A Internet das Coisas ou Internet of things (IoT) é uma expressão muito usada na atualidade. Pode nunca ter ouvido falar desta designação, mas, todos os dias, dentro e fora de casa, as suas ações e o ambiente tecnológico que o rodeia justificam o uso deste termo.

A Internet das Coisas está por todo o lado. Mas, se sente algumas reservas em relação à evolução tecnológica que se instala, cada vez mais, no nosso quotidiano, saiba que dela vêm preciosas vantagens.

Afinal, a tecnologia vem dos problemas mais aborrecidos que possam surgir. E se o escrivão Bartleby, do conto de Melville, se recusava a fazer tarefas repetitivas, dizendo "I would prefer not to", também nós, com a tecnologia hoje ao nosso dispor, podemos dizer não a tarefas monótonas e, ainda, solucionar problemas que nos complicam e atrapalham a vida.

Aproveitar o tempo talvez seja uma das nossas maiores responsabilidades enquanto seres humanos e a tecnologia ajuda-nos a consegui-lo. Tornando objetos do dia-a-dia em "equipamentos inteligentes" - desde eletrodomésticos, automóveis e até cidades inteiras - a Internet das Coisas pode, de facto, fazer-nos ilimitados favores, auxiliar-nos em qualquer ocasião, permitindo-nos, assim, entregar o nosso tempo àqueles de quem mais gostamos, ao deleite do ócio ou a algo que, verdadeiramente, nos apaixone.

Por exemplo, imagine que num festival tinha uma pulseira "inteligente" (chamada RFID) em vez de um bilhete, e que esta lhe dava acesso imediato a áreas reservadas, sem ter de perder tempo nas filas? Desconte o compasso de espera nas entradas e na verificação do bilhete: o resultado é um aumento exponencial do tempo para a diversão, que é o que na verdade importa.

No conforto do lar, quão mais fáceis não seriam as suas manhãs se tivesse uma torradeira controlada por uma app no seu smartphone? Em vez de ficar na cozinha à espera que as torradas atinjam o "ponto" preferido de cada um dos seus filhos (e já sabemos como isso pode variar de pessoa para pessoa), pode ir tratando de se vestir ou preparar as mochilas, desligando a torradeira com um simples toque no seu smartphone. Melhor ainda, com secções individuais e a capacidade de criar perfis individuais, os seus filhos que "programem" a torrada perfeita.

Falando ainda na vertente doméstica da Internet das Coisas, considere, ainda, quantas preocupações lhe poderia poupar um "frigorífico inteligente", que o avisasse que certos produtos estariam em falta, antes de chegar a casa, e assim conseguir preparar aquele prato com que passou o dia a sonhar.

Já no mundo dos negócios, a Internet das Coisas significa poupança de tempo e de custos, pelo que há cada vez mais empresas interessadas em soluções que agilizem os seus processos e que lhes permitam, assim, reduzir a despesa. Grandes retalhistas já tornaram os seus armazéns em grandes centros de operação inteligente, onde aparelhos automatizados e interligados se encarregam, de forma independente, da arrumação dos produtos, sem qualquer tipo de intervenção humana. Pequenos robots que transportam cargas sozinhos, leu bem.

A contribuir para a melhoria dos processos logísticos nos negócios está também a evolução da Internet das Coisas no setor automóvel. Recentemente, foi apresentado um camião autónomo, cujo objetivo é rentabilizar as operações em serviço de portos e centros de logística. Por ser autónomo, este camião pode operar 24h por dia - e assim ajudar as marcas a dar resposta ao boom do comércio eletrónico. Robots gigantes que transportam cargas sozinhos, também leu bem.

Mas o melhor da Internet das Coisas talvez seja o potencial para melhorar a nossa saúde. Através de smart packaging, por exemplo: caixas de comprimidos com sensores eletrónicos e conectados que enviem informações a uma base de dados, gerida por médicos, informando quando é que a caixa foi aberta e se as indicações de toma foram respeitadas. De facto, segundo um estudo recente, muitos doentes comprometem a sua cura por não tomar os comprimidos até ao fim, ou da forma incorreta. Deste modo, os médicos teriam mais informação para melhorar o comportamento dos seus pacientes e consequentemente, a sua saúde. O único senão é que já não será possível dizer ao seu médico de família que tomou o antibiótico todo, porque ele vai saber que os comprimidos estão todos guardados num armário.

Como vê, numa era cada vez mais tecnológica, a vida pode tornar-se mais fácil, destituída de tudo aquilo que é mais desinteressante e, então, o tempo estenderá os seus braços longos em direção a nós - e a quem cabe apenas usar sabiamente os minutos que a Internet das Coisas nos concede.

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