A avó, o latim e Tancos. A tarde em que RAP não deixou nada por dizer

O humorista foi entrevistado no Palco DN nas Histórias de Natal DN/Kia. Diz que "Estar Vivo Aleija" mas esta tarde o público que encheu a Praça mostrou-lhe como pode ser bom estar vivo

Palco cheio, esta tarde, para ouvir Ricardo Araújo Pereira a ser entrevistado pelo jornalista do Diário de Notícias João Céu e Silva. A conversa foi transmitida em direto no DN online. Houve fila para a sessão de perguntas aberta ao público e, no final, uma concorrida sessão de autógrafos do último livro escrito por RAP. "Estar Vivo Aleija". Foi precisamente o lançamento da obra - que reúne crónicas publicadas no jornal Folha de S. Paulo - que serviu de arranque para as primeiras perguntas.

RAP, que é tímido, garantiu que neste livro fala mais de si do que é costume, das suas "cobardias, vergonhas e ridículos". Não podia deixar de falar da avó - é por causa dela que hoje o temos neste registo, já contou muitas vezes que gostava de a fazer rir, em todas as entrevistas gosta de a homenagear, mesmo que nas entrelinhas. Hoje não foi diferente.

Falou da avó mas também mostrou saber ainda todas as declinações de latim - usava a música d'A Machadinha para não as esquecer. Sim, hoje RAP também cantou para nós.

Facebook, Tancos e o "prazer de fazer rir"

Sobre as crónicas para a imprensa brasileira agradeceu a oportunidade à sua editora, Bárbara Bulhosa, da Tinta da China. "É uma fuçona, conseguiu que eu estivesse presente numa feira literária no Brasil e na Folha gostaram de mim", explicou.

As redes sociais - como o Facebook - e os amigos que afinal não o são, a generosidade subjacente em fazer rir alguém - dar esse "prazer", como definiu RAP; e até o roubo do material de guerra em Tancos,"uma história demasiado boa para que eu a pudesse ter inventado", foram alguns dos tópicos da conversa.

Seguiram-se as perguntas do público, como a de Ferreira Fernandes, diretor do Diário de Notícias. Quis saber do humorista mais sobre a sua ligação a Lisboa, e de como a cidade o influenciou ou influencia. Ricardo Araújo Pereira voltou a falar-lhe da avó. "Vivia em Lisboa mas comia como em Viana de Castelo e lá em casa falava-se como em Viana do Castelo" - "ninguém é de só de Lisboa", reforçou.

Terminou a entrevista a revelar que diz "umas baboseiras" para evitar falar sobre si, embora em "Estar Vivo Aleija" se exponha mais, continua a disfarçar e a sentir que é um privilégio fazer-nos rir.

Este domingo à tarde houve ainda entrevista da Plataforma Media ao economista e curador de arte guineense Luís Barbosa Vicente e o concerto da banda "Sardinhas com Bigodes" que animaram o princípio de noite na Praça do Município.

No próximo fim de semana João Céu e Silva entrevista Isabel Stillwel e há concerto da banda Senhor Doutor, além da animação constante da Praça, como a Casa do Pai Natal, o Mercado de Natal e a banca do Diário de Notícias onde poderá pedir a capa do dia do seu aniversário.

Até 6 de janeiro as Histórias DN/Kia estão no centro de Lisboa, mesmo em frente aos Paços do Concelho, com música, debates, entrevistas e muita animação para as famílias.

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