Crítica de vinhos: o triunvirato de luxo da Blandy's

A Blandy"s acaba de adicionar três novos vinhos da Madeira ao seu portfólio, todos na fasquia superior de qualidade. Trata-se do Colheita Verdelho 2000 e de dois Vintages, Sercial 1968 e Bual 1957. Lançamento de truz, aproveitando o crescendo na procura.

O vinho da Madeira está ao rubro, com as atenções do mundo enófilo inteiro voltadas para o produto que mesmo em Portugal nunca foi popular. Existe em receituário tradicional inglês e francês, especialmente molhos e terrinas, herança dos tempos idos da venda a granel. A partir do momento em que o engarrafamento entrou na ordem do dia a procura por colheitas e castas especiais intensificou-se, um pouco à semelhança do que aconteceu com o vinho do Porto.

A Blandy"s vai já na sétima geração, com Christopher Blandy à frente dos destinos da casa que é a última de cariz familiar a operar no vinho da Madeira. Conta com Francisco Albuquerque na direcção técnica e enológica e juntos têm operado o que se pode chamar revolução tranquila, modernizando a componente industrial e consolidando marcas mais afinadas para o consumidor. O vinho Madeira é fortificado com álcool vínico que é introduzido quando a fermentação alcoólica dos mostos está a decorrer e é isso que faz com que a bebida resultante tenha álcool e açúcar significativos.

A acidez é outro factor notável dos Madeira, fazendo com que evolua muito lentamente e por muito tempo. O lançamento dos três novos vinhos distingue as castas nobres verdelho, sercial e bual, a que haveria que juntar a Malvasia e a Terrantez para completar o leque. O que a empresa tem feito com a Tinta Negra é notável e já a elevou a um grande patamar de qualidade, a preços acessíveis. Aí estão para já três vinhos coleccionáveis e eternos. Boas provas!

Fonte: Evasões

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