Crítica de vinhos: cinco vinhos distintos da Cartuxa

Mantém-se viva a assinatura monacal da Cartuxa, de que vamos conhecendo e acompanhando novas frentes. Vinhos preparados para o calor, cozinha aligeirada e para saborear de forma simples e direta nos fins de tarde.

A Fundação Eugénio de Almeida inaugurou há pouco mais de um ano a nova Adega da Cartuxa, a um tempo marca de proa e projeto central de grande carisma, junto a Évora. A regra religiosa de São Bruno, religioso alemão do séc. XI, continua a motivar novas vocações pelo mundo fora e Portugal não é exceção. A cartuxa de Santa Maria de Scala Coeli - escada do céu - continua a albergar frades que vivem segundo a que é considerada a mais recolhida das clausuras. São, grosso modo, eremitas que vivem em comunidade, e o trabalho da terra é uma das atribuições importantes, incluindo a vinha e o vinho.

A empresa em si exporta já mais de metade do que produz, e conta com marcas como Pêra-Manca, Scala Coeli e Cartuxa no seu portfólio, pelo que o cariz industrial é dominante e não envolve os religiosos na produção dos seus vinhos. É antes uma forma especial de funcionar, com o enólogo Pedro Baptista aos comandos do grande e sofisticado parque de cubas, lagares e barricas que elencam a unidade de produção.

O gigantismo da produção não impede que a atenção ao pormenor seja grande, mesmo nos vinhos de maior tiragem, caso da marca de entrada de gama EA. O espumante produzido segundo o método champanhês é um dos produtos em franca ascensão de vendas, confirmando a lógica mundial de procura crescente de espumantes. A marca Scala Coeli está a afirmar-se com força semelhante à própria Pêra-Manca, com a vantagem da liberdade criativa que comporta, permitindo definir os melhores lotes e castas em cada colheita. A que apresentamos é cem por cento alicante bouschet, por ter sido para a casa a mais expressiva dentre as que medram nas vinhas da Cartuxa. A linha EA merece atenção especial, por ter atingido um patamar notável de qualidade, face ao preço. E alimenta a alma, imperativo, de resto, deste lugar tão especial.

Diversidade de estilos
Os cinco vinhos que selecionámos não podiam ser mais diferentes entre si. Um espumante branco, um branco e um rosé de entrada de gama, um branco de truz de pergaminhos confirmados e o tinto Scala Coeli que vai direito ao coração. Boas provas!

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Fonte: Evasões

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.