Crítica de vinhos: a maturidade da Quinta de S. José no Douro

Com um porto vintage que fala por si, brancos minerais e de boa cepa, tintos que trazem o mapa do Douro dentro, é mais do que altura de passar carta de alforria aos vinhos da Quinta de S. José, do magnético casal João Brito e Cunha e Sofia Prazeres, eles próprios a cumprir por estes dias 18 anos de casados.

Fica na margem esquerda do Douro quando ele se aproxima da excelsa interseção com o rio Pinhão, a Quinta de S. José, fantasia tornada realidade por insistência e paixão de João Brito e Cunha - enólogo que transporta o código genético de cinco gerações de produtores durienses. Descendente da célebre Dona Antónia Adelaide Ferreira, não é fácil mudar-lhe o pensamento quando tem a certeza do que está a fazer e nesta caso tinha. Ainda bem, dizemos nós, porque o portfólio vínico que apresenta é de nível considerável, pois além de passado tem futuro.

Dois brancos de estilos muito diferentes, um tinto de entrada de gama que satisfaz bem, um reserva que adora a boa mesa e um touriga nacional de enorme talante enológico, por ter a boa concentração que o Douro oferece e por ter renunciado ao excesso de extração, resultando num exemplar da casta de rara elegância. O Grande Reserva é transcendental, só podia ter sido feito por mãos sábias. E João Brito e Cunha mostra hoje uma segurança grande no que faz, há mais um grande tinto do Douro para acompanhar de perto a partir de agora. Um trabalho perfeito. Parabéns, João e Sofia. Licença total para criar.

Fonte: Evasões

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