Pela igualdade no acesso ao tratamento do cancro do ovário

A 8 de maio, Dia Mundial do Cancro do Ovário, 75% das pacientes ainda não têm acesso a medicamentos vitais. Sem a comparticipação desta terapêutica, ergue-se um enorme muro que impede o acesso ao tratamento igualitário e justo desta doença que faz tantas vítimas.

Não é o mais comum, mas é o mais mortal. Em Portugal, cerca de 600 mulheres são diagnosticadas todos os anos com cancro do ovário. Quando está na fase inicial não há sintomas. Por isso, na maioria das vezes, os diagnósticos são feitos quando o cancro já está avançado.

A doença é a oitava causa mais frequente de morte por cancro entre as mulheres. Atualmente, já existem novos e importantes medicamentos para tratar este tipo de cancro. Estes tratamentos estão disponíveis numa fase mais avançada da doença, depois da quimioterapia.

Refiro-me, em particular, aos inibidores da PARP, comprimidos que as doentes podem tomar confortavelmente em casa e que lhes permitem ter uma maior qualidade de vida. Ou seja, combater a doença, mas sem os efeitos secundários da quimioterapia.

Com os inibidores da PARP, estamos perante um novo paradigma da luta contra o cancro. Ao tomar estes fármacos, as pacientes fazem uma terapia de manutenção e diminuem o risco de recaídas posteriores, que eventualmente podem nem acontecer.

Porém, nem todas as mulheres têm acesso a estas terapêuticas. É por isso que a grande luta do Movimento Cancro do Ovário e outros Cancros Ginecológicos (MOG) é a igualdade e equidade no tratamento. São necessárias equipas médicas especializadas e há uma forte necessidade de comparticipação da medicação, em primeira linha.

Em Portugal, só é possível ter acesso aos novos medicamentos em segunda linha, ou seja, quando o cancro reaparece depois do primeiro tratamento não ter resultado. Em janeiro, houve uma alteração no processo e agora algumas doentes com determinada mutação genética já têm acesso ao tratamento de manutenção em primeira linha. Às mulheres sem essa mutação, o SNS não comparticipa o tratamento.

Esta situação aumenta ainda mais a desigualdade entre as doentes. Se as mulheres com a mutação genética têm a comparticipação da medicação porque precisam dela, as que não têm mutação genética, que representam 75% dos casos, também apresentam uma necessidade enorme dessa comparticipação. É uma medicação muito cara, impossível de pagar a título individual.

Aproveitemos também o Dia Mundial do Cancro do Ovário para apelar a estilos de vida saudável. Essa será uma maneira de prevenir e controlar a doença. E ainda mais importante: peço que todas as mulheres oiçam os sinais que os seus corpos lhes podem dar. O diagnóstico precoce é fundamental à recuperação.

A autora do artigo não recebe qualquer honorário para colaborar nesta iniciativa.

Esta iniciativa é apoiada pela GSK, sendo os artigos integrados no projeto Ciência e Inovação da responsabilidade dos/as seus/suas autores/as.

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