Conselho de Segurança da ONU

Victor Ângelo

Suu Kyi e a nossa Ursula

Tencionava escrever sobre o golpe de estado em Myanmar. Sigo regularmente o que aí se passa, especialmente o papel das associações da sociedade civil na defesa dos cidadãos, os investimentos chineses e o seu impacto político, assim como a ação dos diferentes grupos armados de base étnica. A China, que é o segundo maior investidor estrangeiro no país - o primeiro é Singapura -, partilha com Myanmar uma longa fronteira e vê no seu vizinho sobretudo um corredor económico de acesso mais curto e direto ao golfo de Bengala. Esse corredor tem um interesse estratégico enorme para os chineses, quer para as importações de gás e de petróleo quer para as exportações para o Médio Oriente e África.

Adriano Moreira

A grave crise americana

Independentemente do valor da soberania e da independência dos Estados, que se alargou com a intervenção do princípio do fim do colonialismo sobretudo ocidental, a regra da cooperação global orientou o encontro de todas as diferenças culturais, éticas, étnicas e religiosas, na ONU. Tratando-se de ter a paz como um valor assim reforçado, não seria realista deixar de prever, e antecipar, regras e condutas que viessem a repetir violações do direito internacional, que teriam como primeira resposta, impedindo o agravamento do contencioso, a criação de tribunais internacionais, com reconhecida autoridade judicial. Seria menos raro, na lógica dos apelos mais documentados pelas exigências, em que se destacam as duas Guerras Mundiais do século passado. Infelizmente não foi possível evitar guerras que exigiram lideranças personalizadas, para intervirem a favor ou contra as perceções políticas em confronto, sendo talvez Churchill o mais saliente estadista dos que ficaram na história (1939-1945), quando, enfrentando o nazismo alemão, gritou: "We shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hill: we will never surrender." Lembrado nesta data inquietante em que a gravidade da pandemia parece cobrir de um nevoeiro espesso a desregulação da ordem internacional, e que vai como que sendo silenciada a integridade imaginada pelos fundadores da ONU.