BCE

Bernardo Pires de Lima

"Não há soberania no isolamento"

Mergulhados no pessimismo, desvalorizamos algumas dinâmicas aceleradas pela pandemia. Uma das mais importantes está no aprofundamento da integração económica e política regional, capaz de funcionar como contraponto às desgarradas aventuras do soberanismo revivalista. Além disto, a pandemia tem consolidado, até ver, importantes dinâmicas que a precederam. Uma delas é a transformação das economias pela via da transição energética mais consentânea com as metas ambientais. Apesar da inflexão dos EUA de Trump, entretanto corrigida por Biden, ninguém com peso nesta discussão abandonou a prioridade climática. Pelo contrário, a pandemia veio expor a urgência da colocação do bem-estar no centro das decisões políticas e da credibilidade das negociações multilaterais. De certa forma, ganhámos espaço para calibrar uma proposta social alargada em detrimento da sofreguidão clássica pelos resultados económicos. É também este ajustamento que está na base dos planos expansionistas de recuperação nos EUA e na União Europeia, isto se alocados no tempo e no modo de forma certeira ao longo desta década. Os empedernidos espíritos soberanistas têm que lidar com isto: foram os passos conjuntos da integração regional que criaram as condições para responder a estes dilemas estruturais.

Opinião

2021: o ano da normalização económica

Annus horribilis: assim ficará 2020 conhecido na história - o ano em que o nosso pior pesadelo se tornou realidade, com a propagação de um vírus que fez centenas de milhares de mortos e que está a provocar uma contração económica como desde há décadas não se conhecia. Mas se, por um lado, ainda não é possível apurar a sua verdadeira magnitude, por outro, a resposta fiscal e monetária da Europa também é muito diferente da resposta à anterior crise financeira.