Wisconsin

João Melo

Lições preliminares das eleições americanas

Por causa do prazo para entregar este artigo, tenho de escrevê-lo quando ainda não é conhecido o vencedor das eleições nos Estados Unidos, realizadas a 3 de novembro. No momento em que o faço, o candidato democrata, Joe Biden, está a um passo (um estado) da vitória. Mas tudo ainda é matematicamente possível, até um empate entre ele e Trump, o que criaria uma situação inusitada e complexa, mas resolúvel. Seja como for, já há algumas lições preliminares que podem ser extraídas destas eleições. A primeira é que o carácter decisivo da disputa eleitoral de 3 de novembro de 2020 foi confirmada pela histórica participação dos eleitores, de ambos os partidos. Como resultado, não apenas Joe Biden teve a maior votação da história das eleições americanas, superando o registo de Obama em 2008, como o próprio candidato republicano, Donald Trump, aparece logo a seguir. A segunda lição é que ficou igualmente confirmado que as eleições constituíram uma espécie de referendo sobre a figura de Trump e que a gestão da crise causada pela pandemia da covid-19 foi o fator principal por detrás do voto individual dos eleitores (para sintetizar, os mesmos poderão ser caracterizados entre pró-confinamento e pró-abertura e foi isso o que determinou a sua escolha entre um e outro candidato). Sem ignorar, claro, temas como a economia (inevitável), o racismo e a estabilidade social (law and order).