angolano

João Melo

Otimismo, uma questão de sobrevivência

O annus horribilis que nos calhou está prestes a terminar. Mais ou menos surpreendentemente, despede-se com alguns sinais promissores, entre os quais destaco a possibilidade de vacinação contra a covid-19; a derrota de Trump nos Estados Unidos; o início da retoma económica da China, país onde surgiu a pandemia que paralisou o mundo (queridos "ideólogos" anti-Pequim: já imaginaram se as duas principais potências económicas mundiais estivessem em recessão ao mesmo tempo?); a lenta, mas inspiradora, democratização de África; e a nova ascensão das forças progressivas na América Latina, promovendo o reequilíbrio político da região.

João Melo

África e o islão: que futuro?

No início deste mês, o islamismo africano voltou a ser notícia, mais uma vez por más razões: o sequestro de mais de 300 jovens estudantes nigerianos na cidade de Kankara, estado de Katsina. O sequestro foi reivindicado pelo Boko Haram, organização ligada ao Estado Islâmico. Os estudantes foram libertados dias depois, mediante, segundo uma fonte da France Press, o pagamento de um resgate pelas autoridades nigerianas, mas o episódio mantém na ordem do dia as inquietações sobre o futuro do islamismo em África.

João Melo

Lições preliminares das eleições americanas

Por causa do prazo para entregar este artigo, tenho de escrevê-lo quando ainda não é conhecido o vencedor das eleições nos Estados Unidos, realizadas a 3 de novembro. No momento em que o faço, o candidato democrata, Joe Biden, está a um passo (um estado) da vitória. Mas tudo ainda é matematicamente possível, até um empate entre ele e Trump, o que criaria uma situação inusitada e complexa, mas resolúvel. Seja como for, já há algumas lições preliminares que podem ser extraídas destas eleições. A primeira é que o carácter decisivo da disputa eleitoral de 3 de novembro de 2020 foi confirmada pela histórica participação dos eleitores, de ambos os partidos. Como resultado, não apenas Joe Biden teve a maior votação da história das eleições americanas, superando o registo de Obama em 2008, como o próprio candidato republicano, Donald Trump, aparece logo a seguir. A segunda lição é que ficou igualmente confirmado que as eleições constituíram uma espécie de referendo sobre a figura de Trump e que a gestão da crise causada pela pandemia da covid-19 foi o fator principal por detrás do voto individual dos eleitores (para sintetizar, os mesmos poderão ser caracterizados entre pró-confinamento e pró-abertura e foi isso o que determinou a sua escolha entre um e outro candidato). Sem ignorar, claro, temas como a economia (inevitável), o racismo e a estabilidade social (law and order).