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Fernando Jorge Cardoso

Cabo Delgado, uma guerra complexa

A guerra em Cabo Delgado começou com operações violentas e de pequena escala, no distrito de Mocímboa da Praia, e intensificou-se a partir de 2019, com a chegada de dezenas de combatentes jihadistas estrangeiros e a entrada de armamento mais sofisticado, tendo-se estendido a metade dos distritos, no nordeste. Dos cerca de 2,6 milhões de habitantes da província, 20% são hoje refugiados, exercendo pressão sobre as instituições existentes e sobre a capital, Pemba. A fragilidade e a baixa motivação de combate das forças armadas e da polícia moçambicana permitiram a ocupação de Mocímboa da Praia e ataques coordenados e simultâneos em vários locais. Os jihadistas desenvolvem uma guerra simultaneamente terrorista, com decapitações de civis, e antigoverno, jogando com ressentimentos da população. As forças moçambicanas, mal treinadas e equipadas para operações de contrainsurgência, tem sido apoiada por mercenários com meios aéreos e o governo moçambicano subvalorizado até recentemente a gravidade do conflito - mesmo agora, em que solicita apoio militar e logístico, mostra renitência à vinda de contingentes militares multinacionais, que possam escapar ao controlo central.

João Melo

África e o islão: que futuro?

No início deste mês, o islamismo africano voltou a ser notícia, mais uma vez por más razões: o sequestro de mais de 300 jovens estudantes nigerianos na cidade de Kankara, estado de Katsina. O sequestro foi reivindicado pelo Boko Haram, organização ligada ao Estado Islâmico. Os estudantes foram libertados dias depois, mediante, segundo uma fonte da France Press, o pagamento de um resgate pelas autoridades nigerianas, mas o episódio mantém na ordem do dia as inquietações sobre o futuro do islamismo em África.