Premium Escrever à mão: o digital está a matar a caligrafia?

Há países onde os alunos já não são obrigados a aprender caligrafia no primeiro ciclo. Por cá, os professores continuam a insistir numa letra bonita na escola primária, mas existe a perceção de que se escreve cada vez pior. Será que é mesmo assim?

"A caligrafia na era dos computadores e dos smartphones está muito má", atira Manuel Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional de Professores (ANP). "A técnica de escrever à mão seguindo um modelo estético e de beleza até artística está quase ausente da escrita nos dias de hoje e principalmente das nossas crianças e jovens. Estamos a escrever cada vez pior não porque não tenhamos uma 'boa' ou razoável caligrafia, mas porque simplesmente deixámos de usar a escrita manuscrita nesta era do digital e das redes sociais", afirma o professor do primeiro ciclo.

Catarina Duarte, de 34 anos, corrobora: "A minha caligrafia está mais feia. Escrevo cada vez menos à mão e noto que há uma alteração da qualidade da minha letra. Os cadernos de há 15 anos não têm nada a ver com os atuais." Gestora financeira, autora do blogue (in)sensatez e formadora de cursos de escrita criativa, Catarina já não escreve tanto à mão como outrora, mas não consegue abandonar os cadernos e as agendas. "Gosto mesmo de escrever à mão. É mais prático. Mas quanto mais vamos perdendo o hábito, menos trabalhada é a letra. Sinto que escrevo rápido e de uma maneira mais corrida."

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