Premium Uma ilha paradisíaca para fugir à confusão no Algarve

O acesso à ilha do Farol, no concelho de Faro, faz-se apenas de barco com ligações a partir de Olhão e Faro. Um passeio pelo Parque Natural da ria Formosa em direção ao paraíso.

Dizem que o ferryboat às vezes encalha nos bancos de areia. Acredito, mas não posso confirmar. Já há alguns anos que a ilha do Farol se tornou uma paragem obrigatória nas férias no sul e, até ao momento, as viagens decorreram sempre com toda a tranquilidade. Enquanto o barco atravessa a ria Formosa, vemos a cidade de Faro a afastar-se e o farol do cabo de Santa Maria cada vez mais perto. Durante aproximadamente 40 minutos, sentimos a brisa na cara, recordamos memórias de outros verões, fechamos os olhos por breves momentos... O paraíso está cada vez mais próximo.

Na ilha do Farol não há carros, stress ou confusão. Há paz, um sossego difícil de encontrar por terras algarvias. Assim que se atravessa a ponte, a sensação é a de estar a entrar num outro Algarve, que ainda não foi descoberto. Talvez se sinta algo semelhante na (ilha) Deserta, mas falta-lhe o encanto das pessoas, dos moradores da ilha, que se dedicam sobretudo à pesca e à produção de bivalves.

Até chegar à praia, caminhamos por ruas estreitas, com casas típicas onde dá (muita) vontade de morar. Reservamos espaço no areal, já de olhos postos nos petiscos e cocktails do marAmais. Há muitas pessoas à nossa volta, é certo, mas quase não se fazem notar. Como costuma dizer a Carla, "a ilha está cheia de gente, mas é como se não tivesse ninguém".

Sem olhar para o relógio, passamos a tarde entre o mar - calmo e límpido -, a toalha, o areal e as camas de rede da esplanada do marAmais. Se os miúdos insistirem muito, ainda vamos dar uma volta de gaivota. Costumamos levar marmita de casa, mas dizem que o peixe da ilha é do melhor do mundo. Como, de resto, tudo na ilha.

Quando alguém se lembra que se calhar está na hora de ir embora, por vezes já é tarde. O último barco em direção a Faro sai às 19.30, mas a fila começa a formar-se bem mais cedo. Não raras vezes, já não há lugar. Mas ninguém se incomoda. Se já tiver comprado o bilhete, mandam vir mais um barco. Espera-se numa esplanada. Se não quiser aguardar, há sempre um táxi aquático à sua espera.

Uma ida à praia da ilha do Farol pode, à primeira vista, ter alguns inconvenientes, como a falta de estacionamento em Faro (que já nos fez perder o barco algumas vezes), os cinco euros da viagem, os 40 minutos de travessia ou a possibilidade de o ferryboat ficar encalhado. Mas talvez seja isso que faz dela um paraíso. E que se mantenha assim, por favor!

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Nuno Artur Silva

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