Um mandarim entregue ao governo chinês

Num edição que dava grande destaque à guerra que se intensificava entre Japão e Rússia - com um longo texto enumerando três grandes perigos e explicando a razão de o serem: o Japão, as estradas públicas e os caminhos-de-ferro -, outra notícia curiosa merece menção.

Umas linhas abaixo e sem grande alarde, mas destaque suficiente para provar a sua importância, lia-se na edição deste dia 31 de gosto de 1904, no espaço destinado a noticiário variado: "Entrega de um mandarim ao governo chinês".

O DN explicava então, dando seguimento a uma notícia prévia, que "o governo chinês requerera ao nosso a entrega de um mandarim que, exercendo um importante cargo naquele império, abusara da sua posição". O seu crime? Ter-se apropriado de "fabulosas quantias" e que "para se subtrair a um justo castigo" fugira para Macau.

Agora, o jornal anunciava que o governo mandara instaurar um processo, tendo ficado provada a culpa "do mandarim, em virtude do que se resolveu pedir a sua interdição". Na notícia esclarecia-se ainda que o homem já fora entregue ao governo chinês, "sob a condição de não lhe ser aplicada a pena de morte".

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