Premium Situação em Angola marca rentrée do Bloco de Esquerda

Fórum Socialismo inicia-se hoje em Leiria, terminando no domingo com a intervenção da líder do partido, Catarina Martins. Ativista angolano dos direitos humanos intervém amanhã.

A semanas do restabelecimento total das relações entre Lisboa e Luanda, com a visita do primeiro-ministro português a Angola (17 e 18 de setembro), o Bloco de Esquerda, parceiro do PS na geringonça, traz a Lisboa uma das vozes angolanas mais críticas do regime liderado pelo MPLA.

Fundador e diretor do site Maka Angola, o jornalista Rafael Marques tem intervenção marcada para sábado no evento de três dias que começa hoje, com que o Bloco de Esquerda assinala a sua rentrée no novo ano político, o Fórum Socialismo.

"Situação política em Angola" é o tema da conferência do jornalista angolano. Em novembro de 2017, Rafael Marques deu uma entrevista ao Expresso em que se declarou "satisfeito" com os discursos anticorrupção que o novo presidente de Angola, João Lourenço, estaria a fazer. No entanto, já depois disso, em maio deste ano, considerou que João Lourenço "tem estado a dar sinais de que está a formar uma nova elite de saqueadores".

Rafael Marques estará no sábado no Fórum Socialismo, assim como há um ano, em videoconferência, marcou presença no mesmo evento um outro ativista angolano dos direitos humanos, Luaty Beirão. A defesa do reforço democrático e do combate à corrupção em Angola é um tema de sempre na agenda do BE - que aliás assim procura também estabelecer mais uma marca de contraste com o outro partido parceiro do PS na geringonça, o PCP. A rentrée dos comunistas, a Festa do Avante!, está aliás a ser marcada pela notícia de que os comunistas pediram à editora Tinta da China para não ter à venda no recinto um livro de Luaty, Sou Eu mais Livre, então - Diário de Um Preso Político Angolano.

O Fórum Socialismo decorrerá na Escola Superior de Educação de Leiria, começando hoje à noite com intervenções da eurodeputada Marisa Matias, do fundador do BE Luís Fazenda. Também intervirá uma antiga guerrilheira do IRA (a organização armada republicana que lutou pela independência da Irlanda do Norte face ao Reino Unido), Martina Anderson, hoje eurodeputada eleita pelo Sinn Féin (o partido que foi o braço político do IRA).

Marisa Matias abrirá o Fórum Socialismo e, como habitualmente, Catarina Martins encerrará, no domingo ao fim da tarde, com um discurso em que anunciará as principais linhas de força do Bloco de Esquerda no próximo ano político, o último da legislatura, ano de eleições europeias e legislativas (e de regionais na Madeira). A líder bloquista deverá reafirmar que o próximo Orçamento do Estado não poderá contar com o voto favorável do BE se contiver propostas que de alguma forma impliquem um retrocesso nas políticas de devolução de rendimentos e direitos levadas a cabo desde o início de funções do atual governo.

Angola será apenas um dos temas num evento que terá quase cinco dezenas de debates, sobre os mais variados assuntos. Está prevista a presença de dois deputados portugueses de outros partidos que não do BE: Pedro Delgado Alves, do PS, e André Silva, do PAN, que participarão num debate sobre o direito à morte assistida.

O BE sublinha temas como a política, o ambiente, a cultura, a história, o trabalho e a sexualidade. O advogado Celso Cruzeiro vai falar do estado da justiça; Miguel Cardina do colonialismo em Portugal; e o cantor, compositor e produtor José Mário Branco da "impossível neutralidade no canto". Marisa Matias tenciona, na sua intervenção de abertura, denunciar como forças não extremistas contribuíram na Europa com políticas restritivas da imigração, para abrir caminho ao crescimento da extrema-direita. Três dos principais fundadores do BE, Francisco Louçã, Fernando Rosas e Mário Tomé, estarão também presentes - num evento que já tem cerca de 400 inscritos (a entrada é livre mas a inscrição obrigatória por causa das refeições).

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