Já só falta o hino da Champions. Tudo sobre os rivais de FC Porto e Benfica

Benfica forma com Bayern e Ajax um trio de campeões europeus e regressa à Grécia, desta vez para defrontar o AEK. FC Porto vai encarar o Lokomotiv de Manuel Fernandes e de Eder, volta a Gelsenkirchen e ainda vai à Turquia para defrontar o Galatasaray.

Benfica e FC Porto, vendo bem as coisas, não se podem queixar do sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões. Ao FC Porto saiu o cabeça-de-série que todos desejavam, o Lokomotiv Moscovo, já o Benfica vai ter de medir forças com o Bayern Munique de Renato Sanches mas, depois, terá pela frente Ajax e AEK Atenas, a equipa presente no sorteio com pior ranking e que conta com os portugueses André Simões e Hélder Lopes, que não são propriamente adversários inacessíveis.

Comecemos pela análise do grupo do FC Porto.

O apetecido Lokomotiv Moscovo

Vai ser a primeira vez que o FC Porto vai defrontar o Lokomotiv Moscovo mas os dragões têm um bom registo com formações russas (duas derrotas em 12 jogos). O Lokomotiv colocou um ponto final de 14 anos sem conquistar o título russo e o golo decisivo até foi marcado pelo português Eder, cuja opção de compra ao Lille foi acionada neste defeso. Os russos, que têm em Manuel Fernandes um elemento nuclear, investiram forte neste mercado, pois contrataram o avançado Smolov ao Krasnodar, por nove milhões de euros, e o central internacional alemão Höwedes ao Schalke 04. Conseguiram ainda, junto do Paris Saint-Germain, o empréstimo do médio polaco Krychowiak, que é, na atualidade, a grande figura da equipa orientada pelo prestigiado Yuri Semin, vencedor de três Ligas e cinco taças da Rússia. Era o cabeça-de-série mais apetecido.

Schalke 04, o sempre feliz regresso a Gelsenkirchen

Os adeptos portistas com memória mais apurada recordam-se bem da eliminatória entre FC Porto e Schalke na época 2007-08. Um jovem foi preponderante ao garantir o desempate por grandes penalidades e depois a vitória para a equipa germânica, da marca dos 11 metros. Falamos de Manuel Neuer, que agora defende as cores do Bayern, que terá o Benfica pela frente. O atual Schalke marca presença nesta prova por ter sido vice-campeão alemão. Começou mal o campeonato com uma derrota em Wolfsburgo, mas olhando para o que fez no mercado importa dizer que gastou uma verba avultada (53 milhões de euros) e os seus principais investimentos recaíram sobre os médios Rudy (Bayern Munique), Serdar (Mainz) e Mascarell (Real Madrid). O seu treinador é, por assim dizer, a sua grande figura. O ítalo-alemão Domenico Tedesco é a the next big thing no que diz respeito a treinadores na Alemanha. Tem apenas 32 anos e é comparado a Jürgen Klopp e a Thomas Tuchel. Teve a sorte de estar no sítio certo na hora certa, pois substituiu como interino o anterior técnico, Markus Weinzierl, e 93 dias depois foi confirmado como treinador. Tedesco tinha apenas trabalho nas academias do Estugarda e do Hoffenheim. Por outro lado, será sempre um momento feliz o FC Porto voltar ao estádio em que se sagrou campeão europeu em 2004, quando na altura, orientado por José Mourinho, bateu o Mónaco na final por 3-0.

Galatasaray de dois ex-dragões

Será um reencontro com velhos conhecidos, este que vai opor, pela primeira vez a nível oficial, o FC Porto ao Galatasaray. O campeão turco tem nas suas fileiras dois ex-dragões; o central Maicon e o médio Fernando, ambos titulares. O Galatasaray recuperou na época passada, sob o comando do mítico Fatih Terim, o título que lhe fugia há três anos. No defeso vendeu por seis milhões de euros o avançado Gomis ao Al Hilal de Jorge Jesus. No que diz respeito a compras pouca atividade até ao momento, sendo importante ressalvar que o mercado na Turquia fecha mais tarde. O início do campeonato não podia ter corrido da melhor forma: 6-0 em casa diante do Alanyaspor.

Agora, a análise ao grupo do Benfica.

O estratosférico Bayern Munique

O Bayern é uma equipa que quase dispensa apresentações. Hexacampeão alemão, cinco vezes campeão europeu e um plantel avaliado, segundo o site Transfermarkt, em 840 milhões de euros. Para muitos o Bayern tem o melhor número 9 do mundo, o polaco Lewandoski, o melhor central do planeta, Hummels, e um dos melhores guarda-redes da atualidade, Manuel Neuer. Nesta época deu-se ao luxo de vender Arturo Vidal ao Barcelona, manteve os restantes e contratou uma promessa, por dez milhões de euros, aos canadianos do Vancouver, o extremo esquerdo Alphonso Davies. A grande mudança, de uma época para outra, foi a alteração no comando técnico. O veterano Jupp Heynckes reformou-se e para o seu lugar foi contratado o croata Niko Kovac, que orientava o Eintracht Frankfurt. Quando surgiu o nome de Kovac, a imprensa germânica deu conta de algum desconforto dos pesos-pesados do Bayern - Robben, Ribèry e Thomas Müller. Na primeira jornada do campeonato, Kovac, um antigo defesa do clube, deixou no banco jogadores como Hummels, James Rodríguez e Robben. Contudo, o Bayern sofreu mas acabaria por vencer o Hoffenheim, na Alianz Arena, por 3-1.

Olha o Ajax... 46 anos depois

O vice-campeão holandês teve de ultrapassar, tal como o Benfica, dois adversários - Standard Liège e Dínamo Kiev - para estar nesta fase de grupos. Há cinco anos sem se sagrar campeão holandês, o Ajax volta a cruzar-se com o clube da Luz 46 anos depois do último duelo. Perdeu para a Roma, neste defeso, uma das suas estrelas, Justin Kluivert, filho do antigo avançado Patrick Kluivert. Por outro lado, fez regressar Daley Blind do Manchester United. Neste momento, os jogadores que mais se têm destacado neste início de temporada são os extremos Ziyech e Tadic. Na defesa De Ligt é uma estrela em ascensão. Veremos se até aos jogos com o Benfica recuperam futebolistas importantes como o brasileiro Neres e o dinamarquês Dolberg, o maestro de toda a dinâmica ofensiva da formação holandesa. Dá a ideia de que é uma equipa muito irregular e que sofre com a falta de experiência, um problema que dificilmente resolverá, pois a sua filosofia assenta numa aposta permanente na formação.

O AEK Atenas que todos queriam

Começou a época mais cedo e imitou Ajax e Benfica; deixou duas equipas pelo caminho - Celtic e Videoton. Era a equipa que todos queriam, pois das 32 presentes no sorteio é a que tem o ranking mais baixo. O seu plantel vale apenas 38 milhões de euros, sendo o mais valioso português: André Simões (quatro milhões), médio formado no FC Porto e que como sénior militou em equipas como Santa Clara e Moreirense. Contratou para o ataque o croata Marko Livaja ao Las Palmas e vendeu o central Vranjes ao Anderlecht. No plantel está ainda outro português, o lateral-esquerdo Hélder Lopes, que foi expulso no segundo encontro diante do Videoton, e ainda o ucraniano Chygrynskiy, que um dia o Barcelona contratou ao Shakhtar, por imposição de Guardiola, a troco de 25 milhões de euros. O AEK vive ainda sob alguma euforia depois de ter conquistado o título grego, o primeiro depois de 1993-94. Curiosamente, o autor do feito, o espanhol Manolo Jiménez, deixou Atenas e para o seu lugar foi contratado o antigo técnico do Panathinaikos Marinos Ouzounidis. O Benfica regressa à Grécia, onde já foi feliz nesta temporada frente ao PAOK de Salónica, e de novo com a obrigação de vencer.

Mourinho contra CR7 e inferno dos grupos C e F

Para os portugueses o grande aliciante extra FC Porto e Benfica tem que ver com o duelo entre o Manchester United de José Mourinho e a Juventus de Cristiano Ronaldo. Ainda por cima esse grupo tem ainda uma equipa que pode baralhar as contas; o Valência de Gonçalo Guedes. O Shakhtar de Paulo Fonseca, pelo segundo ano consecutivo, tem de defrontar o Manchester City de Pep Guardiola. Ainda assim, este é um dos grupos infernais, pois ucranianos e ingleses terão de se bater com Lyon e Hoffenheim. No grupo C há três galos para dois poleiros; Paris Saint-Germain, Nápoles e Liverpool (o Estrela Vermelha estará condenado à partida). O Mónaco de Leonardo Jardim vai defrontar o Atlético de Madrid, o Dortmund e o Brugges. Interessante será, sem dúvida, o grupo que inclui Barcelona, Tottenham, PSV e Inter de Milão.

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