Premium Ensinamentos do meu mestre José Mário Branco

António Branco, o sobrinho do músico, recorda o cantor José Mário Branco: "Contou-me ele que saber apanhar a poesia do mundo e pô-lo na obra de arte é o ofício mais antigo que existe. E que se ele morrer morrerá com ele a nossa humanidade."

O meu mestre só me ensinou coisas exigentes, como fazem os verdadeiros mestres. Ao contrário daqueles que me querem cada vez mais pequeno, o meu mestre dedicou-se a apontar-me a grandeza onde e sempre que ela surgia, dizendo-me: "É este o caminho que vale a pena." E nunca, mas nunca mesmo, me impediu de tropeçar em mim sem que eu lho pedisse, como prova de incapacidade. Por isso haverá tantas coisas que me quis ensinar e que eu não consegui aprender ou de que ainda não estou consciente.

O meu mestre ensinou-me a verticalidade e a horizontalidade tão bem que nunca confundo a primeira com o sentido que lhe dão nem a segunda com a linha do horizonte, porque só lhes reconheço o sentido que tinham para ele: sempre mais fundo, sempre mais alto, sempre à frente; sempre ao lado, um bichinho igual aos outros. E assim vou indo no sonho e no mergulho e na viagem, umas vezes olhando para cima, outras para baixo, outras para longe, e sempre ao lado de outros ninguéns.

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