Anda tudo doido?

Que, em tempos de #MeToo e de correcção política pós-colonial, instituições como a National Gallery ou o The New York Times embarquem nesta loucura é a prova provada de que anda tudo doido.

Anda tudo doido? Em Londres, por causa de uma retrospectiva de Paul Gauguin na National Gallery, está montada a tenda e armado o arraial, com graves acusações de pedofilia e racismo ao pintor francês. Em grande destaque, o quadro Tehamana Tem Muitos Pais, um óleo de 1893 que retrata uma jovem taitiana de 13 anos com quem o pintor casou (ou "casou", com aspas) aquando da sua primeira estada nos mares do Sul, entre 1891 e 1893. Nos audioguias e na legenda do quadro, a National Gallery decidiu informar os visitantes que o artista (pelos vistos, um grande artista) "teve reiteradamente relações sexuais com jovens raparigas, "casando" com duas e tendo filhos delas". Acrescenta o esclarecimento: "Indubitavelmente, Gauguin aproveitou-se da sua posição de ocidental privilegiado para gozar as maiores liberdades sexuais."

Os jornais noticiam amplamente o auto-de-fé e, há poucos dias, um artigo do The New York Times chegou a perguntar, em título, "Is It Time Gauguin Got Canceled?" (NY Times, 18/11/2019). Até um dos curadores da exposição londrina se confessa "desiludido" com o facto de a pulsão artística de Gauguin "o ter levado a magoar e a usar tantas pessoas de uma forma vil". Caso para perguntar: então se é assim, porquê exibir os resultados dessa "pulsão artística", que tanto mal causou?

A coisa está num ponto tal que muitos já advogam que os quadros de Paul Gauguin deixem de ser exibidos em público e que as suas telas sejam remetidas discretamente para as caves dos museus, como obras licenciosas e indignas de ser vistas. Não sendo essa a opinião dos compradores privados, que pagam fortunas pelos seus quadros (vendida em 2014 por 220 milhões de dólares, uma pintura de Gauguin é a quarta tela mais cara de sempre), a tese proibicionista e censória é defendida por alguns curadores de nomeada, como a neozelandesa Ashley Remer, fundadora do girlmuseum.org, um museu online dedicado a mostrar como as mulheres jovens são (mal) representadas na arte. Segundo ela, Paul Gauguin era um "pedófilo arrogante e paternalista, para dizer o mínimo". E a poeta e académica Selina Tusitala Marsh, igualmente neozelandesa, tem estrofes arrasadoras para o pintor francês num poema que, sem contemplações, começa assim: "Gauguin, you piss me off."

Para começar, convém dizer que não é segredo para ninguém que, entre outras peripécias, Gauguin e Van Gogh foram assíduos frequentadores dos bordéis de Arles, na tempestuosa temporada que aí passaram em finais de 1888 e que culminou com Vincent a cortar a orelha esquerda e a entregá-la a uma jovem prostituta de nome Rachel, que naturalmente caiu para o lado ao receber tão macabra oferta.

Pagar para ter sexo era um hábito muito vulgar nos cavalheiros da época (e dos nossos dias), mas agora até há quem defenda que a prostituição deve ser absolutamente normalizada e tratada como "trabalho sexual" igual aos demais ofícios. Mas mesmo pressupondo - o que não é líquido - que todas as prostitutas que Gauguin conheceu na vida eram maiores de idade e livres nas suas opções, o facto de usar o corpo dessas mulheres a troco de dinheiro não deveria também ser motivo para proibir a exibição dos seus quadros e, de caminho, dos de Van Gogh e de todos os pintores e artistas que recorreram ou recorrem a serviços sexuais remunerados? Ia ser bonito, ia.

No caso das meninas do Taiti, há uma diferença, como é óbvio, atendendo a que as jovens polinésias com quem Gauguin se envolveu eram menores. Entre elas, Tehamana, a rapariga exibida em cartaz na National Gallery, com quem o pintor se casou tinha a moça 13 anos. É evidente que, naquele contexto colonial, havia uma flagrante assimetria de estatuto e poder entre Paul Gauguin e Tehamana, como é evidente que Paul Gauguin, o escritor Pierre Loti e todos ou quase todos os ocidentais que "casavam" com vahinés o faziam, em larga medida, devido a essa assimetria de estatuto e poder. E também o faziam, como parece evidente, não por desejo firme e sincero de constituir família, mas por mero ímpeto sexual, entre outras finalidades, umas desprezíveis (ter uma serviçal ou um modelo artístico, receber oferendas da família da noiva), outras não tão desprezíveis assim, como beneficiar do contacto diário e da companhia de outro ser humano (o que, bem vistas as coisas, é o que sucede em todos os casamentos e demais uniões entre as pessoas vivas).

Afirmar, como afirmam a National Gallery e muitos curadores, que Gauguin teve "relações sexuais com menores" e que, por isso, é um "pedófilo arrogante", além de simplificador, constitui uma estupidez completa, pois é evidente e mais do que óbvio que Gauguin teve "relações sexuais" com Tehamana e com muitas outras meninas taitianas.

De resto, numa carta ao seu amigo Georges-Daniel de Monfreid, datada de Novembro de 1895, o pintor chegou a gabar-se, num tom algo repelente, de não ter motivos para se queixar no domínio carnal: "Todas as noites, garotas endiabradas me invadem a cama: ontem tinha três a funcionar." Porém, prometia emendar-se, deixar a vida de estroina, "trazer para casa uma mulher séria e trabalhar no duro".

O casamento de Tehamana com Gauguin foi combinado com a família da jovem, como, importa dizê-lo, acontecia com todos os casamentos taitianos da época, fossem matrimónios mistos com ocidentais, fossem uniões dos nativos entre si. Perante isto, o pior "racismo" ou "ocidentalismo" que poderíamos cometer seria impormos agora aos nubentes, a Paul Gauguin mas também a Tehamana, os padrões ou o perfil do que hoje em dia temos por união matrimonial. Não se trata de salvar Gauguin com o argumento do "contexto da época" ou da peculiar "cultura" dos povos taitianos, trata-se de perceber que, se julgarmos o seu comportamento com os olhos anacrónicos dos nossos dias, à luz daquilo que é o modelo ocidental - e actual - de casamento, estaremos a fazer a Gauguin e aos taitianos do século XIX exactamente o mesmo que os missionários lhes fizeram, impondo-lhes o matrimónio pela Igreja e, em tempos um pouco mais recuados, marcando cruelmente as mulheres taitianas na face, como advertência do inferno para a sua luxúria.

Aliás, em Avant et Après, um relato autobiográfico publicado no ano da sua morte, em 1903, Paul Gauguin troçou à farta com os casamentos de taitianos celebrados à maneira ocidental pelos missionários ou pelos administradores coloniais, contando o episódio de dois casais de noivos que, logo finda a cerimónia civil, oficiada pelo gendarme, decidiram que bom mesmo era trocarem de pares por umas horas ou uns dias, e por isso saíram os quatro da boda num amigável swing. Noutro caso narrado por Gauguin, um noivo elogiou a beleza da dama de honor, e a noiva também achou graça ao rapaz de honor, pelo que, à saída da igreja, meteram-se os quatro aos folguedos por uns arbustos dentro.

Esta não é a ladainha costumeira sobre a "promiscuidade" proverbial dos nativos ou, sobretudo, das nativas, à conta da qual, durante séculos, muitos colonizadores se aproveitaram das mulheres para os seus belos prazeres. Mas deve ter-se em conta que, se não compreendermos que os povos autóctones tinham uma vivência da sexualidade muito diferente da nossa, marcados que estamos pela moral judaico-cristã e pelos ensinamentos da Igreja, estaremos, uma vez mais, a ser os piores "ocidentalistas" ou os mais bárbaros "eurocêntricos". Quando casou com Gauguin, Tehamana tinha 13 anos, é certo, e, se podemos censurar a atracção do pintor por uma mulher tão nova, tal não significa que ele fosse um "pedófilo arrogante", como agora dizem que era. Se as coisas fossem assim tão simples, ficaria então por explicar porque é que, mesmo nos nossos dias, em muitos países do mundo a idade núbil continua a ser mais baixa para as raparigas do que para os rapazes e, já agora, porque é que ainda existem países em que, com o consentimento dos pais, uma rapariga pode casar aos 12 (Guiné Equatorial), aos 14 (São Tomé e Príncipe, Cuba) ou aos 15 anos (Angola, Camarões, Gabão, Tanzânia, etc., etc.).

Com autorização judicial, uma menina de 13 anos pode hoje casar no Irão e, no Sudão, bastam uns inacreditáveis 10 anos. Nos termos do Código de Direito Canónico, uma rapariga pode casar aos 14 anos e um rapaz aos 16 (uma vez mais, uma inexplicável diferença de género) e, segundo muitos preceitos islâmicos, uma rapariga pode casar aos 9 anos (!), e um rapaz aos 12. É no Ocidente, no sempre odiado Ocidente, que a idade núbil se afigura, em média, mais elevada e mais paritária entre rapazes e raparigas. Portanto, olhando para o mundo de hoje, continua a existir muita e muita gente que casa e que tem sexo com meninas impúberes, sem que isso mereça grande escândalo entre os que agora desprezam Gauguin como "pedófilo arrogante".

Em rigor, Tehamana nem sequer "casou" com Gauguin, já que é difícil tratar, ou sequer conceber, aquela união tradicional do Taiti como um "casamento" igual aos do Ocidente. Nessas uniões tradicionais, as raparigas taitianas não eram casadas à força e, pelo contrário, acediam ao matrimónio de livre e espontânea vontade, como sucedeu, de resto, com Tehamana. Em Noa Noa, o escrito que nos deixou sobre a sua estada no Pacífico Sul, Gauguin descreve ao pormenor como tudo se passou: ao chegar a Faone, foi interpelado por um indígena que, sabendo que ele era pintor, saudou-o com uma expressão fabulosa, "o homem que faz homens". A seguir, o indígena levou-o a uma casa onde estavam muitas pessoas, entre as quais uma bela maori, a quem o pintor disse que ia a Haitá em busca de mulher; a maori ofereceu-lhe a filha, garantiu que ela era bonita e saudável, e então foram juntos apreciá-la. Satisfeito com o que via, Paul Gauguin perguntou à rapariga se tinha medo dele, ela respondeu que não, questionou-a depois sobre se queria ir viver com ele, a rapariga assentiu.

Na aparência, tudo se passou com maior tranquilidade e naturalidade da parte dela e da sua família do que da parte dele, minado pela dúvida e preocupado com os sentimentos da jovem: "Aquela rapariga, criança com cerca de 13 anos, encantava-me e assustava-me: na alma dela o que se passava? Neste contrato tão rapidamente concebido e assinado eu tinha o pudor hesitante da assinatura; eu, quase um velho", escreveu Gauguin, acrescentando: "talvez a mãe lhe tivesse dado ordens, discutido em casa o negócio. Todavia, naquela criança grande havia o orgulho independente que é de toda a raça, a serenidade de um acto louvável. O lábio trocista, apesar de meigo, bem mostrava que o perigo era meu e não dela. Não direi que tenha saído da cabana sem medo".

Depois de oficializado o enlace perante a ama-de-leite da jovem, foram consultar a sua mãe biológica, que indagou o pintor sobre a bondade do seu carácter e sobre se iria fazer feliz a filha. Tendo Gauguin prometido que sim, a mãe de Tehamana advertiu-o de que dentro de oito dias a rapariga deveria regressar a casa e, se não fosse feliz, tinha o direito de o abandonar a qualquer momento, no gozo de uma liberdade de escolha que na época não era concedida às mulheres ocidentais nem à generalidade das mulheres do mundo e que, mesmo nos dias de hoje, não se efectiva com tanta facilidade e destreza. O pintor espantou-se por Tehamana ter duas mães - a de leite e a biológica - e daí o título do quadro que agora serve de cartaz à exposição da National Gallery: Tehamana Tem Muitos Pais (no original, Merahi metua no Tehamana).

Depois da conversa com as duas mães, lá foram para casa do pintor, o qual, sem necessidade de nos dizer isso, se confessa apaixonado pela jovem e afirma várias vezes que a ama: "Gostava dela e disse-lho, o que a fez sorrir (...) Tehamana parecia amar-me, mas não mo dizia." Passada uma semana, a jovem regressou a casa dos pais, como combinado, e Gauguin ficou tristíssimo; dias mais tarde, retornou aos seus braços e viveram ambos, ao que tudo indicia, dias de felicidade pura, com ele a falar-lhe de Deus e da Europa, e ela a contar-lhe as lendas e os mitos da cultura taitiana. "Dou-lhe instrução, e ela a mim...", escreveu o pintor em Noa Noa.

É certo que, segundo se diz, Tehamana encarava tudo aquilo como um casamento à séria, e que para Gauguin o enlace não passava de uma união conveniente e temporária, desfeita numa penada quando ele teve de regressar a França. No cais, Tehamana ficou em prantos, prova de que o amava ou, pelo menos, de que gostava dele, e que os tempos que passaram juntos não terão sido dias de violência e maus-tratos ou de sevícias sexuais. Mais decisivo ainda, não muito depois da partida de Gauguin, a jovem Tehamana casou de novo com um rapaz taitiano, muito novo, e dele teve dois filhos.
O antropólogo sueco Bengt Danielsson, que em 1947 acompanhou a célebre expedição Kon-Tiki, capitaneada por Thor Heyerdahl, chegou a conhecer um dos filhos de Tehamana, que lhe contou que, quando Gauguin retornou à Polinésia, em 1895, a mãe recusou-se a voltar a viver com ele, apesar dos insistentes pedidos e das generosas ofertas que o pintor lhe fez. Houve, ao que parece, um flirt fortuito de uma semana, mas Tehamana acabou por rejeitá-lo por razões físicas, não de carácter, achando repelentes as manchas que lhe cobriam o corpo, em resultado da sífilis contraída em França, em tempos idos. E, mesmo depois de ele morrer e de o seu nome se tornar famoso, Tehamana nunca revelou particular interesse na sua pintura ou em proclamar que fora sua mulher. Uma bela lição de vida.

Há questões que nunca apuraremos ao certo. Sabemos que Tehamana teve um filho de Gauguin, mas pouco mais se conhece, dizendo uns que ela abortou, garantindo outros que a criança foi dada para adopção, como era prática corrente no Taiti.

O que sabemos, de ciência certa, é que Paul Gauguin se irmanou até ao mais fundo da sua alma com a cultura polinésia e com o seu povo, que morreu lá, ao que parece de ataque cardíaco, e que morreu na penúria, crivado pelas multas e pelas custas judiciais que os tribunais lhe aplicaram. Porquê? Porque teve a coragem de escrever ao governador e aos inspectores das colónias a denunciar os abusos da administração ultramarina e a falar dos gendarmes que faziam tráfico de mulheres para os navios de passagem por aquelas bandas.

Dizem agora que Gauguin chamava "selvagens" aos taitianos, sem perceber que isso era o maior elogio que ele lhes fazia e que, com o passar dos anos nos mares do Sul, ele próprio se orgulhava de já ser também um "selvagem", escrevendo: "A civilização sai de mim aos poucos e começo a pensar com simplicidade, a ter pouco ódio ao próximo, a funcionar animalmente, livremente, com a certeza de que o amanhã será igual ao dia de hoje."

Eugène Henri Paul Gauguin, filho de um casamento desfeito entre uma escritora de pouco sucesso e um jornalista radical que, num acesso de fúria, chegou a tentar matar a mulher, funcionário bancário bem estabelecido que descobriu tardiamente a pintura mas que fez dela a razão total da sua vida, casado com uma dinamarquesa que se interessou menos por ele do que pelo dinheiro da venda dos seus quadros, Eugène Henri Paul Gauguin, dizia, foi um homem complexo e contraditório, como todos nós, mas descrevê-lo como um pedófilo racista é de um simplismo leviano e atroz, é um retrato grosseiro, injusto e, pior ainda, desinformado e ignorante, que escamoteia o profundo desdém de Gauguin pelas autoridades coloniais do seu país e o quanto ele sofreu e padeceu por amor ao povo do Taiti.

Que, nestes tempos de #MeToo e correcção política pós-colonial, instituições como a National Gallery ou o The New York Times embarquem nesta loucura, nesta tirania justicialista das virtudes retroactivas, é a prova provada de que anda tudo doido, mesmo muito doido.

Historiador. Escreve de acordo com a antiga ortografia.

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