Premium Fazer teatro em horário pós-laboral com Lisboa na mente

Num antigo palácio de Xabregas, um grupo amador ensaia duas noites por semana um espetáculo sobre a "turistificação" de Lisboa, mas não sabe ainda quando nem onde poderá estrear.

Teresa sempre gostou de cantar, "desde pequenina, no tempo em que andavam os ceguinhos na rua". Gostava de ouvir as canções na rádio e de as cantar enquanto trabalhava como modista. De vez em quando, alguém a desafiava: "Ó Teresinha, cante aquela!" E ela cantava, sem nunca sonhar sequer a subir a um palco. Um dia, a vizinha Lurdes, que a ouvia a cantar da sua casa, perguntou-lhe se ela não queria participar num espetáculo de teatro. E foi assim que, aos 76 anos, Teresa D'Almeida se juntou ao TeatrAção para o espetáculo Lisboa-na-Mente. Põe o xaile nos ombros e canta, muito à sua maneira, os fados À Beira do Cais e Maria Lisboa, mas também faz umas breves participações noutras cenas. "A parte de cantar é fácil. O resto para mim é mais difícil, estou sempre com medo de me enganar. Mas eles têm-me ajudado", explica Teresa. E tem-se divertido, admite.

Como este é um grupo de teatro amador, os ensaios acontecem às quartas e quintas-feiras à noite, entre as 20.30 e as 23.00, no Eka Palace, uma associação cultural que fica num antigo palácio na Vila Maria Luísa, em Xabregas, Lisboa. Dos seis atores apenas um tem uma carreira mais ligada à televisão e ao cinema, os outros são um professor de Francês, outro de Biologia, uma professora de Inglês, uma jurista e uma enfermeira. "É muito difícil harmonizar as profissões com os ensaios", conta Ângelo Ferreira, o professor de Francês, de 55 anos. "Às vezes os ensaios terminam à meia-noite e, no dia seguinte, às oito da manhã eu tenho de me apresentar fresco que nem uma alface perante o meu público", brinca.

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