Alívio no desemprego é o mais fraco desde o verão de 2013

Taxa total não sai dos 6,5% a 6,6%. Desemprego jovem ainda baixa, mas ao ritmo mais fraco desde finais de 2015.

A descida do desemprego, que dura há praticamente seis anos, parece estar cada vez perto de um ponto de viragem, de um fim de ciclo.

De acordo com cálculos do DN/Dinheiro Vivo aos dados do mercado de trabalho corrigidos de sazonalidade, ontem publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o desemprego total terá descido 4,5% em julho (dado ainda provisório) face a igual mês do ano passado. Em junho, a descida homóloga (dado definitivo) foi de 4,6%.

Ambos os recuos são os mais fracos desde o verão de 2013, quando Portugal ainda estava numa grave crise económica e social, sob programa de ajustamento do governo PSD-CDS e da troika.

Ou seja, é preciso recuar até agosto e setembro de 2013 para se encontrarem descidas desta dimensão. Foi justamente nesta altura que o número de pessoas sem trabalho (que na altura eram perto de 900 mil) começou a diminuir. Em Portugal, o contingente de desempregados aumentou de forma consistente e persistente entre o final de 2008 e o verão de 2013.

Atualmente, os números são bem melhores, mas as perspetivas para a economia internacional e europeia têm vindo a degradar-se de forma notória, sobretudo em países como a Alemanha. O país, que é um dos maiores parceiros económicos de Portugal, está à beira da recessão, o que terá quase de certeza efeitos nefastos sobre a economia portuguesa. E o emprego.

Mas, segundo o INE, o ciclo de alívio no desemprego, apesar de estar mais moderado, ainda não terminou. Em julho, como referido, o desemprego desceu 4,5%, para um total de 336,8 mil pessoas. Em junho (dados definitivos), o contingente de pessoas sem trabalho estava nAs 338,6 mil (quebra homóloga de 4,6%).

Em todo o caso, estas descidas sucessivas mas menos intensas já se refletem na taxa de desemprego. Esta continua a diminuir, mas muito mais devagar do que no passado recente.

Segundo o INE, a taxa de desemprego rondará os 6,5%. Está estabilizada. Desde dezembro último que oscila entre esta marca e os 6,6% (continuamos a falar de dados ajustados de sazonalidade).

No Programa de Estabilidade, o governo prevê 6,6%. O Orçamento do Estado deste ano foi feito em cima da hipótese de que a taxa média de desemprego seria de 6,3%.

Desemprego jovem colado aos 19%

Entre os jovens (15 a 24 anos), o número de desempregados continua a descer (-3,5% em julho e -7,6% em junho), mas a marca provisória de julho traduz-se no alívio mais débil desde finais de 2015, estava Portugal a sair da crise. Agora há 72 mil jovens sem trabalho; no fim de 2015 havia mais de 110 mil nessa situação.

A taxa de desemprego jovem, que mede o peso do número de desempregados mais novos no total da população ativa com idades entre os 15 e os 24 anos, tem vindo descer nos últimos anos, mas desde maio que está colada à fronteira dos 19%.

Criação de emprego enfraquece

A menor intensidade no alívio do desemprego não vem sozinha. A criação de emprego também está a perder algum gás, indicam as contas do DN/Dinheiro Vivo a partir dos novos dados do INE.

Em junho (dados definitivos), o emprego subiu apenas 0,3% face a igual mês de 2018, naquele que é o pior registo desde outubro de 2013 (em plena crise), altura em que ainda havia destruição de emprego (-0,3%).

No caso dos jovens, a situação é pior ainda. Os dados provisórios do INE sinalizam que em julho pode ter havido destruição de empregos nestas faixas etárias (quebra ligeira de 0,1%), algo que não acontecia desde setembro de 2015. Em todo o caso, o aumento de 0,8% em junho (número definitivo) é igualmente a marca mais fraca desde esse mês de setembro, há quatro anos.

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