Terrorismo em Angola aplacado

"Terminou com êxito a primeira fase de uma operação de estreita colaboração entre o Exército e a Força Aérea, tendente a desarticular e reduzir as atividades terroristas", relatava neste dia 30 de agosto de 1961 o DN. Em causa estavam movimentações "perigosas" levadas a cabo em Angola, que o governo informava estarem agora serenadas.

Logo o título entregava claramente a mensagem o que importava passar: "Uma vasta região do Norte de Angola vai regressar à tranquilidade devido à ação conjugada" dessas Forças Armadas na Serra de Canda, região que "servia de refúgio aos terroristas em trânsito ou em ação" contra territórios vizinhos.

O levantamento dito terrorista era consequência da independência do Congo belga, um ano antes, que enviara ondas de choque e contágio pelos territórios angolanos mais próximos, visíveis em movimentos revoltosos ou subversivos - ainda não totalmente entendidos na Metrópole como os primeiros ventos de mudança. Eram esses os primeiros passos para a sublevação que aconteceria meses depois, materializando-se na guerra colonial que acabaria por dar a independênia aos territórios ultramarinos.

Apesar de não pesar ainda devidamente a importância dos factos, de Lisboa seguiu um reforço de homens para combater esses primeiros revoltosos. Da sua atividade, nesses dias bem-sucedida, dava conta o DN, que informava que, terminada a junção das forças, começaram as "operações de limpeza para fazer regressar à tranquilidade esta importante região do Norte".

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.