Premium Guia para sobrevivermos à "tubarãomania"

O tubarão é o animal mais temido. Hollywood sabe dessa missa e de quando em quando há um filme com barbatanas assassinas. No cinema, está aí Meg, de Jon Turtelbaub, a levar mais de 60 mil portugueses aos cinemas e, na televisão, o culto pelos filmes Sharknado está ao rubro. Deixamos alguns filmes para nos colocar em contexto com esta febre.

Numa altura em que o fenómeno do telefilme The Last Sharkonado: It's About Time e a aposta nos cinemas de Meg Tubarão Gigante nos fazem pensar em tubarões no cinema, paramos para perceber de onde vem todo este fascínio com barbatanas. A culpa é de Spielberg, que nos anos 1970 com Tubarão inventou o conceito do blockbuster. Depois disso, filmes com tubarões a atacar humanos tornaram-se numa espécie de subgénero, algures entre a pura série B, passando pelo conceito do humor negro.

Como se explica esse fascínio? Digamos que um assassino debaixo de água com dentição branca é algo que nos deixa excitados de medo. Um tubarão não é um demónio fantasma nem um serial-killer, tem mais piada e é mais "natural". Nem mesmo A Orca, produção de 1977 de Dino de Laurentiis, conseguiu replicar o efeito, muito menos a série de filmes de Piranha, filmes mauzinhos mas que ajudaram a descobrir James Cameron, cineasta que venceu os Óscares em Titanic.

Se o prazer de ver um tubarão nas lides da vilanagem é algo de inconsciente, o cinema de Hollywood parece utilizá-lo como fonte de mil e uma ironias: na maioria dos casos é a estupidez humana que nos coloca na boca do animal. A par disso, a imagem de uma barbatana fora da água é só por si um código de medo e de paranoia. Mexe com instintos universais, não precisa de tradução. Os movimentos de um tubarão, silenciosos e elegantes, são na essência um engodo cinematográfico, sobretudo quando são bem filmados e montados com música assustadora, seguindo sempre o molde da fórmula Spielberg/John Williams.

Se o último Sharknado (pode ser visto no canal Sy Fy) já é o sexto e sempre caprichou na máxima "é tão mau que fica bom", nos cinemas, segundo os números do ICA, nesta semana houve uma invasão em massa ao cinemas para ver Meg Tubarão Gigante, de Jon Turteltaub, que também tinha feito negócio dos grandes nos EUA. Esta aposta da Warner levou quase 60 mil espectadores no primeiro fim de semana, mesmo com críticas demolidoras. A história de um tubarão gigante pré-histórico que volta das profundezas do oceano para comer asiáticos em praias a abarrotar é mau de verdade mas o seu conceito atrai. Além disso, é verão e os espectadores parecem querer ver produtos de escapismo. A pergunta que fica no ar é por que razão estas coproduções entre Hollywood e a China têm dado à luz filmes tão incompetentes...

Para que não fique despistado entre esta tubarãomania, lembramos outros filmes que fizeram este filão nunca sair de moda, sempre na sombra dessa obra-prima que é Tubarão, de Steven Spielberg.

Em Águas Profundas (2003), Chris Kentis

Filme indie que quis assustar com alguma noção de realismo. Um casal vê-se perdido e à deriva no mar depois de não conseguir voltar à sua embarcação. Para piorar tudo, há tubarões a nadar perto deles. Metia um medo que era tudo menos histérico...

Dark Tide - Águas Profundas (2012), John Stockwell

Este título passou despercebido em Portugal depois de falhar comercialmente nos EUA. A oscarizada Halle Berry é uma mergulhadora profissional que volta a encontrar o seu maior trauma: o tubarão-branco. Realizado por John Stockwell, um tarefeiro de Hollywood que se especializou em cinema com histórias em meios aquáticos.

Águas Perigosas (2016), Jaume Collet Serra

Aqui a premissa era simples: uma beldade, a atriz Blake Lively, perdida numa praia numas pequenas rochas a tentar sair com vida depois de um tubarão a perseguir. Um disparate bem executado que foi lançado com muito lucro no verão, temporada obrigatória para estes filmes.

Perigo no Oceano (1999), Renny Harlim

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