Premium Palhaços assassinos e a gastronomia da Pangeia

É à mesa que se assinam tratados, é à mesa que se escrevem poemas... É à mesa que começa a vida." Foi com esta retórica circunspecta que José Carlos Malato procurou elucidar os telespectadores sobre a importância do evento que estava prestes a começar: a sétima edição de 7 Maravilhas à Mesa (RTP 1, sábados), onde uma escrupulosa hierarquia gastronómica de Portugal será estabelecida pela sétima vez. A primeira gala realizou-se em Reguengos de Monsaraz e contou com a presença do presidente da Câmara, habilmente interrogado por uma céptica Catarina Furtado: "As entidades... sentem sempre assim... uma responsabilidade, ou não?" O autarca confirmou sentir a devida responsabilidade e esclareceu de seguida que aquele lugar era habitado há milénios, mostrando estar em perfeita sintonia com um dos temas dominantes da noite, reforçado durante a montagem de apresentação da cidade, onde a frase "há milénios" foi repetida quatro vezes (uma delas para explicar que Reguengos é "há milénios o principal centro oleiro do país").

Na verdade, quase todas as localidades semifinalistas tiveram direito a semelhantes certificados de extrema antiguidade: "Já na pré-história era habitado... um passado milenar escrito na pedra granítica... arquitectura centenária... falar de Braga é falar de uma história milenar... um passado neolítico..." Este vetusto património encontra-se sujeito às predações do tempo e da memória, pelo que é uma obrigação colectiva defendê-lo através do mais poderoso instrumento de preservação cultural desenvolvido pelo ser humano: a chamada de valor acrescentado.

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