Premium Os primeiros Mundiais de atletismo da era pós-Bolt

Sem o jamaicano que dominou as pistas durante uma década, a elite do atletismo reúne-se em Doha à procura de novos ídolos para celebrar. Para Portugal, há uma estreia a criar expectativa e uma campeã com um título para defender.


O show não vai ser o mesmo. O relâmpago apagou-se (dizem que se tentou mudar para os campos de futebol) e aquele trovão de bruaás nas bancadas que o acompanhava de cada vez que surgia a iluminar a pista de atletismo vai ter de encontrar outra referência. No final de setembro de 2019 (de 28 até 6 de outubro), os Mundiais de atletismo no Qatar vão ser a primeira grande competição global pós-Usain Bolt, o jamaicano que revolucionou a velocidade ao longo de quase uma década e se tornou uma das mais populares figuras do desporto mundial.

Nos Mundiais de Londres, em 2017, Bolt despediu-se sem coroa. Conseguiu apenas a medalha de bronze nos 100 metros, afastado do ponto mais alto do pódio que foi o seu habitat natural desde que em 2008 irrompeu como um... relâmpago pela pista olímpica do Ninho de Pássaro, nos Jogos de Pequim. Bolt reescreveu os livros dos recordes nos 100 e nos 200 metros, deixou-os aparentemente inacessíveis a toda uma geração nos anos mais próximos e, sobretudo, deu ao atletismo uma nova superestrela para celebrar.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.