Premium O transporte público como boa política

As vantagens de ter um bom sistema de transporte público nas principais cidades do país são tão evidentes que soa até banal enumerá-las. Financeiramente, permite à maioria dos seus utilizadores poupar várias dezenas de euros por mês. Em muitos casos permite deslocações mais rápidas (principalmente nos centros das cidades), com vantagens de eficiência. Promove a saúde individual e a saúde pública, ao estimular os indivíduos a andar a pé, reduzindo o stress associado à condução, diminuindo o congestionamento e a poluição das cidades. Ao nível macroeconómico, contribui para a redução da dívida externa, porque requer muito menos importação de combustível. Limita as emissões de gases com efeito estufa. Reduz os acidentes de trânsito e, consequentemente, os custos com o sistema de saúde. Como bónus, fomenta um sentido de comunidade, em vez do isolamento individual na cabina de um automóvel.

É evidente que várias destas vantagens não se verificam se o sistema de transportes públicos for medíocre, se as pessoas tiverem de esperar tempo sem fim pelo próximo autocarro ou comboio. Pior do que isso, se nunca souberem quanto tempo é que irá demorar a chegar. Se os veículos estiverem de tal forma cheios de gente, ou tão ruidosos, ou tão frios no inverno e abafados no verão, que se torna dificilmente suportável a sua utilização.

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Margarida Balseiro Lopes

Legalização do lobbying

No dia 7 de junho foi aprovada, na Assembleia da República, a legalização do lobbying. Esta regulamentação possibilitará a participação dos cidadãos e das empresas nos processos de formação das decisões públicas, algo fundamental num Estado de direito democrático. Além dos efeitos práticos que terá o controlo desta atividade, a aprovação desta lei traz uma mensagem muito importante para a sociedade: a de que também a classe política está empenhada em aumentar a transparência e em restaurar a confiança dos cidadãos no poder político.

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Viriato Soromenho Marques

Erros de um sonhador

Não é um espetáculo bonito ver Vítor Constâncio contagiado pela amnésia que tem vitimado quase todos os responsáveis da banca portuguesa, chamados a prestar declarações no Parlamento. Contudo, parece-me injusto remeter aquele que foi governador do Banco de Portugal (BdP) nos anos críticos de 2000-2010 para o estatuto de cúmplice de Berardo e instrumento da maior teia de corrupção da história portuguesa, que a justiça tenta, arduamente, deslindar.

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João Taborda da Gama

Por que não votam os açorianos?

Nesta semana, os portugueses, a ciência política em geral, e até o mundo no global, foram presenteados com duas ideias revolucionárias. A primeira, da lavra de Rui Rio, foi a de que o número de deputados do Parlamento fosse móvel tendo em conta os votos brancos e nulos. Mais brancos e nulos, menos deputados, uma versão estica-encolhe do método de Hondt. É a mesma ideia dos lugares vazios para brancos e nulos, que alguns populistas defendem para a abstenção. Mas são lugares vazios na mesma, medida em que, vingando a ideia, havia menos pessoas na sala, a não ser que se fizesse no hemiciclo o que se está a fazer com as cadeiras dos comboios da ponte, ou então que nestes anos com mais brancos e nulos, portanto menos deputados, se passasse a reunir na sala do Senado, que é mais pequenina, mais maneirinha. A ideia é absurda. Mas a esquerda não quis ficar para trás neste concurso de ideias eleitorais e, pela voz do presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, chega-nos a ideia de incentivar votos com dinheiro.