Premium Haverá Nobel em 2019 ou a indústria do livro continua a ressentir-se?

A suspensão da entrega do Prémio Nobel da Literatura ainda não está resolvida nem há a certeza de que aconteça em 2019. O mundo do livro agradece que o galardão regresse e que premeie os verdadeiros escritores em vez de obras marginais.

O site da Academia Sueca dedica poucas palavras ao Nobel da Literatura de 2018: "Foi adiado." Segue-se, discretamente, uma lista dos galardoados com o prémio, que começa por ser atribuído em 1901 a Sully Prudhomme como "reconhecimento pela sua obra poética, que evidencia idealismo e perfeição artística numa rara combinação de sentimento e razão", um conjunto de nomes que é interrompido - já o fora antes devido aos grandes conflitos mundiais - em 2017, após Kazuo Ishiguro o ter recebido devido aos "romances que deslindam o abismo entre a ilusão e o mundo real". Ambas as declarações comprovam a razão de se o ter entregado durante mais de um século, mesmo que o primeiro autor tenha caído no esquecimento total.

Kazuo Ishiguro, no entanto, explica bem a razão de o Nobel da Literatura ser um prémio tão famoso e sempre aguardado ansiosamente pelos maiores escritores do mundo, afinal, além do reconhecimento, leva o autor a lugares do mundo que nunca o leriam. Bom para a divulgação da obra e ótimo para a indústria do livro, setor que agradece sempre que o Nobel é entregue a um escritor que potencia as vendas.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.