Premium Calouste aos 150

Se fosse vivo, Calouste Sarkis Gulbenkian completaria 150 anos no próximo dia 23 de Março. Ainda que desafie as leis da física, e do físico, não é uma absoluta impossibilidade se tivermos presente a proverbial longevidade dos Gulbenkian, que o filho de Calouste enaltece logo nas primeiras páginas das suas memórias. Escreve aí Nubar que os industriais americanos do petróleo que visitavam o pai em Lisboa, após a Segunda Guerra, ficavam estupefactos por terem diante de si um homem que conhecera alguém mais velho do que os Estados Unidos: o seu próprio avô, falecido aos 115 anos.

Calouste Gulbenkian não teve a longevidade dos seus antepassados, mas ainda assim morreu já idoso em Lisboa, a 20 de Julho de 1955. A sua vida foi um exemplo de como uma vontade indomável é capaz de forçar os acasos do destino. A fortuna, imensa, teve remota origem familiar, mas Calouste soube multiplicá-la várias vezes, e legá-la para benefício de muitos, milhões em prol de milhões. Conta-se a história de que ia para a escola aos ombros de um criado que corria entre a multidão gritando para abrirem alas, pois transportava consigo o menino mais inteligente da terra, o filho do todo-poderoso Sr. Gulbenkian. O professor, de resto, estava avisado: seria sovado se acaso o menino Gulbenkian não fosse o primeiro da classe. Talvez tenha sido aí que aquele jovem se apercebeu da suprema importância da educação e do trabalho árduo, valores que transmitiu aos filhos de forma diligente e austera, quando não severa. Calouste Gulbenkian cedo revelou a sua fulgurante inteligência: formado em Engenharia no King"s College de Londres, aos 22 anos publicava um livro sobre os seus souvenirs de viagem pela Transcaucásia. O ministro das minas do governo otomano teve conhecimento das impressões sagazes de Calouste e encarregou-o de elaborar um relatório sobre os campos de petróleo do Império. O resto da história é bem conhecido, e ultrapassa em muito o epíteto de "senhor cinco por cento", que para si tomava uma generosa parcela do comércio mundial de ouro negro. Por causa da guerra, Calouste Sarkis Gulbenkian estabeleceu-se em Lisboa no Hotel Aviz, decisão quase casual mas de enormes consequências. Sem exagero, das maiores venturas que Portugal teve na sua História, que é longeva. Mais longeva que a América.

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