Premium A maior dívida

Em 1789, ainda como embaixador em Paris dos recém-formados EUA, Thomas Jefferson escreveu ao seu amigo James Madison introduzindo um tema novo na literatura ético-política do Ocidente: a justiça entre gerações. Que obrigações ligam uma geração não apenas aos antepassados (cuja memória deve ser respeitada e preservada), mas sobretudo às gerações futuras?
O pressuposto fundamental de Jefferson era o de que cada geração tinha direito a usufruir a Terra, mas de tal forma que não pusesse em causa esse mesmo direito para as gerações seguintes. Nesse distante mundo rural e pouco povoado do final do século XVIII, ele definiu dois princípios que deveriam inspirar as políticas públicas: nenhuma geração deveria limitar a liberdade da seguinte em matéria de revisão constitucional; nenhuma geração deveria sobrecarregar a seguinte com uma dívida pública não paga.

Neste final de 2018, as palavras de Jefferson ganham uma esmagadora atualidade em torno da questão da dívida. No sentido estrito da dívida pública, os portugueses e a maioria dos europeus sabem bem que uma dívida pública exorbitante é não apenas um fardo económico para quem tem de pagar juros de empréstimos que não contraiu, mas também uma grilheta política que limita as escolhas constitucionais.

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Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.