Premium Encolher os dias

Não há dia em que não o ouça, muitas vezes são duas senhoras que se encontram, por vezes dois senhores.

- Então, dona Aida (ou São, ou Elsa, ou senhor António), como vai andando?

- Olhe, cá vou, devagarinho...

Eu sei que o advérbio vai muito para além das pernas, tenho idade para desconfiar do óbvio. Recordo-me de fazer a mesma pergunta ao meu avô nos últimos tempos de vida e de ficar intrigado com a resposta: "Olha, cá vou encolhendo os dias."

A velhice é cheia de contradições, as horas são cada vez mais lentas e os dias cada vez mais curtos. Vem-me à memória o paradoxo de Zenão e a metade da metade do caminho. Afinal, ninguém quer chegar à meta e só nos resta enganar o tempo, devagar, devagarinho.

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João Almeida Moreira

Bolsonaro, curiosidade ou fúria

Perante um fenómeno que nos pareça ultrajante podemos ter uma de duas atitudes: ficar furiosos ou curiosos. Como a fúria é o menos produtivo dos sentimentos, optemos por experimentar curiosidade pela ascensão de Jair Bolsonaro, o candidato de extrema-direita do PSL em quem um em cada três eleitores brasileiros vota, segundo sondagem de segunda-feira do banco BTG Pactual e do Instituto FSB, apesar do seu passado (e presente) machista, xenófobo e homofóbico.