Exclusivo A foto e o que defendemos

O que leva, então, as pessoas a defenderem a violência gratuita das forças policiais, o não respeito por direitos fundamentais e os julgamentos populares?

Já foi quase tudo dito sobre as tristemente célebres fotos dos três suspeitos de crimes que apareceram nos jornais e as inqualificáveis declarações de algumas organizações representativas das forças policiais. Confesso que nem a pornografia jornalística nem a reação de alguns polícias me surpreenderam. A prova de que ninguém pode ficar espantado com a posição de muitos agentes foi o discurso do superintendente Lucas, comandante da PSP do Porto.

Este oficial apareceu a congratular as suas forças por cumprirem não mais do que o seu dever e esqueceu-se de lembrar aos seus homens que eles não são juízes e que, portanto, não podem aplicar penas; falhou-lhe recordar aos homens que dirige que um suspeito, por muito grave que seja o crime eventualmente praticado, não deixa de ser apenas um suspeito - culpados só os juízes podem decidir quem é ou não -, e não perde direitos que não sejam os que estão relacionados com a investigação; e, sobretudo, não quis recordar aos seus subordinados que a tarefa deles é defenderem os direitos dos cidadãos, de todos os cidadãos. Quando um homem com as responsabilidades deste senhor deliberadamente se esquece dos deveres das forças que dirige e se esquece das suas obrigações com a comunidade que lhe deu o mandato que exerce, ninguém pode esperar mais da reação dos agentes.

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