Premium O cinema sem cinefilia

Para onde vai o mercado cinematográfico? Quando os filmes são tratados como acontecimentos nas chamadas redes sociais, será que ainda prevalecem alguns valores da clássica cinefilia?

As convulsões por que está a passar o mercado cinematográfico manifestam-se através dos sinais mais paradoxais, por vezes simplesmente absurdos. Por exemplo: passou a ser "normal" o lançamento em sala de uma dezena de filmes por semana (por vezes, mais). Tendo em conta que muitos dos títulos estreados estão apenas a cumprir um trajeto "obrigatório" para, com mais ou menos rapidez, surgirem na televisão por cabo, nos respetivos videoclubes ou nas plataformas de streaming, isso significa que o essencial do negócio passou a acontecer, precisamente, depois das salas.

Não adianta encarar tal transformação em termos moralistas. Há muito que todos nós (dos produtores de cinema aos consumidores, passando pelos jornalistas) sabemos da escalada dessa transformação, de uma só vez técnica e cultural. E se é verdade que passou a haver espectadores que julgam que ganharam alguma coisa por poderem ter a grandiosidade física de filmes como Lawrence da Arábia (1962) na triste pequenez do seu telemóvel, não é menos verdade que também não adianta transformar tais espectadores em bodes expiatórios seja do que for. No seu desconhecimento, eles são apenas peões incautos de um processo que pode vir a desembocar na morte da clássica cultura cinéfila.

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