Ano do Coelho entra com frio, tanques e um altar/palco milionário

SÁBADO

Buzinas e tambores em defesa dos animais

Rufar de tambores, o som ensurdecedor de buzinas e apitos e muitos cartazes onde se lia slogans como "animais são família" ou "maltratar um animal tem de ser ilegal" encheram as ruas de Lisboa, com milhares de pessoas a juntar-se na capital para protestar contra a possibilidade de a lei que criminaliza os maus tratos a animais vir a ser declarada inconstitucional. O protesto foi organizado pela organização Intervenção e Resgate Animal (IRA) depois de o Ministério Público ter pedido junto do Tribunal Constitucional a declaração de inconstitucionalidade da norma que criminaliza com multa ou prisão quem, sem motivo legítimo, mate ou maltrate animais de companhia. Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que o bem-estar animal deve ser "devidamente legislado". Numa nota, o Presidente da República sublinhou que "defende o respeito pelo bem-estar animal". Porque os nossos bichinhos merecem.

DOMINGO

Um bom ano do Coelho, apesar dos desafios para a China

Ágil, esperto, prudente e bondoso. É assim que a professora Wang Suoying, num artigo publicado neste dia no DN, descreve o coelho, o animal tão amado pelos chineses que agora encetam o Ano do Coelho. Um ano novo diferente, com a população chinesa pela primeira vez em três anos a poder deslocar-se para celebrar o seu principal feriado junto da família - apesar de os casos de covid terem disparado no país após o levantamento das restrições. "O ano 2023, em chinês ano guimao, revela que é o Ano do Coelho de Água. Os nascidos neste ano serão inteligentes, bondosos, diplomáticos e fáceis de se adaptar às circunstâncias, tal como a água", escreveu a professora Wang. Bons auspícios, apesar de o ano prometer ser de desafios para a China com a economia a desacelerar e a população a decrescer pela primeira vez em 60 anos. Um bom ano a todos.

SEGUNDA

Quando o frio chega, o português treme mesmo em casa

"Frio, frio é quando estão dez graus negativos", gosto de dizer numa provocação a quem, ao contrário de mim que ainda suspiro pelos nevões da Suíça onde cresci, é fã do inverno português com as suas temperaturas amenas. Mas a verdade é que quando, como nos últimos dias, os termómetros caem para mínimas a rondar os zero graus, vêm ao de cima as diferenças entre Portugal e os países do norte e centro da Europa: por lá pode estar a nevar no exterior que o aquecimento central permite a quem está em casa continuar de manga curta, enquanto por cá a maioria das casas não está preparada para o tempo frio, obrigando os seus habitantes a acumular casacos e cobertores. Há um ano, 88% dos inquiridos pelo Portal da Construção Sustentável dizia não se sentir confortáveis dentro de casa devido ao frio ou ao calor. Desde então pouco terá mudado. E se é positivo as autoridades terem acionado planos de contingência para os sem-abrigo, o frio em casa também é um problema real, mesmo que só nos lembremos quando a temperatura cai.

TERÇA

Tanques Leopard a caminho de Kiev. Mas chegarão?

A tarde estava a chegar ao fim quando surgiu a notícia: a Alemanha cedia às pressões crescentes e vai enviar os muito desejados tanques pesados Leopard para a Ucrânia, além de dar luz verde a outros países que os têm no seu arsenal para os poderem fornecer a Kiev. A confirmação oficial chegaria no dia seguinte, mas a verdadeira questão agora tem várias alíneas: quem vai mesmo enviar Leopards para a Ucrânia, quanto tempo demorarão a chegar e que impacto vão ter no desfecho da guerra que começou com a invasão russa da Ucrânia? Os ucranianos pedem 300, especialistas garantem que "para terem um efeito significativo" nos combates, Kiev teria de receber "cerca de cem". Para já, Moscovo garantiu que o envio de tanques para a Ucrânia é "um plano destinado ao fracasso". E a guerra continua... a caminho de completar um ano.

QUARTA

O altar/palco milionário que ensombra a JMJ

Vai decorrer de 1 a 6 de agosto e espera-se que a Jornada Mundial da Juventude traga a Lisboa, não só o papa Francisco, mas milhão e meio de jovens, milhares de bispos e jornalistas de todo o mundo. Uma festa que vai colocar Lisboa no centro das notícias, com esta gente a consumir por cá durante uma semana - retorno económico avaliado em 350 milhões de euros. Mas a polémica rebentou quando a Câmara de Lisboa, que cofinancia o projeto com o Governo e a de Câmara de Loures, apresentou o projeto do altar-palco a ser colocado junto aoi Tejo e onde o papa vai celebrar a missa final. Os 4,2 milhões de euros (mais IVA) não caíram bem aos portugueses e depressa Marcelo Rebelo de Sousa veio pedir que as celebrações respeitem o período atual e a "visão simples" de Francisco. A Igreja também prometeu cortes, com o bispo auxiliar de Lisboa a garantir: o preço "magoou-nos". Pelo meio, o presidente da Câmara Carlos Moedas foi garantindo que a Câmara não gasta mais que os 35 milhões previstos. Mas prometeu rever os custos.

QUINTA

Uma Casa centenária como embaixadora do Alentejo

A efeméride celebra-se a 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, mas as celebrações do centenário da Casa do Alentejo em Lisboa arrancaram agora, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa (afinal, o seu presidente, Carlos Moedas, é ele próprio alentejano, de Beja) e o alto patrocínio do Presidente da República. Por amor ao Alentejo é o mote geral de um programa de comemorações que vão trazer ao belíssimo Palácio Alverca, a sua morada desde 1932 na rua das Portas de Santo Antão música, com destaque para o cante alentejano, gastronomia, exposições de fotografia e pintura, o lançamento do livro do centenário e a inauguração de uma escultura da autoria do artista alentejano Jorge Pé Curto, no icónico Páteo Árabe. Aos cem anos, esta embaixada da região alentejana na capital mostra que está aí para as curvas.

SEXTA

Dia da Memória do Holocausto marca guerra na Ucrânia

No Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, a data acabou por entrar na retórica de um conflito bem atual: a guerra na Ucrânia que já vai no 338.º dia desde a invasão russa. Vladimir Putin acusou os "neonazis da Ucrânia" de cometerem "crimes contra civis, limpeza étnica e ações punitivas". Já Volodymyr Zelensky homenageou as vítimas do Holocausto afirmando que a "indiferença e o ódio matam", com o presidente ucraniano, de origem judaica, a lembrar que "é muito importante que todos saibam valorizar a vida e mostrem determinação". Também o primeiro-ministro da Polónia, onde os nazis construíram o campo de concentração de Auschwitz, acusou Putin de estar a "construir novos campos". Esperemos que pelo menos tenham aprendido algo com o horror do passado.

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