Premium PSD. Vem aí um ano de canelada?

Ainda faltam uns dias para o recomeço oficial da temporada, mas os mind games começaram. Críticos de Rio acusam a liderança, que tem o poder de decidir as listas de candidatos para as eleições do próximo ano.

A direção do PSD já deixou clara a sua estratégia. Só farão parte das listas de candidatos às próximas legislativas aqueles que mostrarem, em primeiro lugar, "lealdade" e "concordância com o projeto" político do partido. Todos os outros, garante a direção, estarão de fora.

Ainda falta mais de um ano para as eleições legislativas - e nove meses para as europeias -, mas o partido já parece tomado por essa lógica interna.

Essa pode ser a leitura para uma frase que Carlos Carreiras escreveu no sábado, na sua página do Facebook. Comentando uma notícia do Observador, que adiantava a agenda de Rui Rio para o próximo dia 1 de setembro no Pontal, no Algarve, onde tem lugar a tradicional rentrée do PSD (a notícia avançava que o líder participaria num jogo de futebol, antes de fazer o seu discurso), Carlos Carreiras, autarca de Cascais, escreveu: "Faço votos de que, ao contrário do que acontece na política, no futebol possa vencer. Basta que utilize os pés e deixe de andar aos pontapés aos seus companheiros de partido que tiveram responsabilidades no momento mais duro que Portugal viveu."

Esses aparentemente metafóricos "pontapés" de Rio "aos seus companheiros de partido" podem significar uma coisa: Rui Rio tem deixado claro que há vários destacados deputados do PSD que, quer por falta de "lealdade" quer por mostrarem desacordo político com o projeto do partido, não farão parte das listas que a direção vai aprovar em 2019. Como o DN noticiou no domingo, a direção do partido estuda a hipótese de instituir um método de escrutínio interno dos seus futuros candidatos.

Um dos casos que já foram abordados internamente é o do ex-vice presidente da bancada parlamentar, e atual deputado, Sérgio Azevedo. Este deputado está a ser investigado pelo Ministério Público, no âmbito da Operação Tutti Frutti, que tenta perceber se existiu crime na adjudicação direta de serviços com valor superior a um milhão de euros, por juntas de freguesia lideradas pelo PSD a empresas de militantes do partido. A polícia fez buscas domiciliárias a Sérgio Azevedo, que é sócio de um empresário e militante do PSD, Carlos Eduardo Reis, cuja empresa Ambigold foi contratada pelas juntas do Areeiro, Estrela e Santo António, em Lisboa.

Além da relação profissional, numa empresa em Moçambique com Carlos Eduardo Reis, Sérgio Azevedo participou com Reis e Luís Newton (presidente da junta da Estrela e influente no poder concelhio do partido) numa lista ao Congresso de 2016 do PSD.

Todos eles, como Carlos Carreiras, foram também apoiantes de Santana Lopes na eleição interna que colocou Rui Rio na liderança do partido.

Por isso, as críticas de Carreiras aos "pontapés" têm um contexto. Em outubro do ano passado, ainda antes da eleição de Rio, já Sérgio Azevedo perguntava, numa entrevista muito crítica sobre a estratégia defendida pelo atual líder, se "agora vamos ser um Partido Socialista com um D à frente?"

Outro dos críticos de Rio é o número dois de Carreiras na Câmara de Cascais, e ex-líder da distrital de Lisboa (próximo do círculo político da capital a que Azevedo pertence). Miguel Pinto Luz chegou a ponderar ser candidato contra Rio. Não avançou, apesar de instigado por um "fazedor de reis" no partido com a dimensão de Miguel Relvas. Relvas garante que Luz "é uma pessoa muito sólida" e podia bem dar um líder no futuro. Mas Luz não foi a jogo contra Rio, embora tenha sido dos primeiros a criticá-lo: "Os líderes não têm o direito de se comportarem como se fossem messias."

Esta é mais uma crítica que parece apontar, diretamente, para o papel do novo líder na escolha interna de candidatos que se aproxima.

Miguel Pinto Luz e Carlos Carreiras estão, no entanto, defendidos de qualquer "veto" de Rui Rio, por serem autarcas. Isso pode explicar a razão para a liberdade crítica de Carreiras. Rio sabe que não pode aplicar nenhum dos seus critérios de escolha quando se trata de apoiar um autarca que tenta a reeleição. Se o partido, por alguma razão, quisesse afastar Carreiras da corrida a Cascais, o autarca podia fazer o que outros correligionários seus já fizeram no passado: concorrer como independente (ou por outro partido - como a nova Aliança de Pedro Santana Lopes).

Essa liberdade possibilita a Carlos Carreiras e, também, a Pinto Luz assumir o papel de líderes de uma fação crítica de Rio - enquanto tentam influenciar as escolhas do partido para as eleições de 2019.

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