Premium Rumo ao interior

Há já uns anos, a parte boa do destino distribuiu-me um novo rumo, cumprido sazonalmente, com muito mais prazer do que dever: Trás-os-Montes ou, se quiser aplicar maior rigor, Chaves e as suas "redondezas". Hoje, essa (pequena) fatia do tempo, livre e informal, tornou-se um desejo que só razões de força maior - e são tantas e tão inesperadas - conseguem impedir. Por motivos particulares que, para não se escorregar aqui para um desinteressante tom confessional e porventura egocêntrico, se podem resumir num ambiente familiar singular, no reencontro de pessoas e conversas acolhedoras e estimulantes, na redescoberta desse bem, muito precioso e igualmente escasso, que é o tempo "desorganizado", mais à mercê do impulso do que da contingência. Há, claro, as noites de esplanada, os apaziguadores banhos de rio (o Tuela, vizinho de Vinhais, ou o Rabaçal, próximo de Valpaços), sem multidões de formigueiro nem ruídos invasores, o petisco local (o arroz de fumeiro do Carvalho, o rim do Canjirão, os ossos da suã do Aprígio, a partir de agora também os milhos do Terra Quente, em Valpaços), as receitas caseiras, os passeios sem premeditação e com verdadeiros "descobrimentos", o recurso à cultura local (do Museu Nadir Afonso ao Parque Biológico de Vinhais). Aí, cada um terá as suas escalas e as suas escolhas.

Estes encontros transmontanos, praticados em regime de clã "aberto" a não iniciados, viabilizaram-me, de uma forma mais inteira e mais "inteligível", Miguel Torga. Durante anos, talvez demasiados, era autor de "exclusividade" paterna. Agora, já não: fez-me falta o contacto com o seu cenário, natural e humano, para lhe perceber a gravitas, para entender a densidade das personagens, até para poder acompanhar a sua inconfundível morfologia poética. Este mergulho geográfico ajudou a trazer-me de volta um outro escritor, aflorado em fase de juventude (quando tudo parecia mais urgente e mais definitivo) e depois desaparecido - com toda a injustiça - sob a poeira do esquecimento: António Modesto Navarro, doravante mais cercano nas escolhas.

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Daniel Deusdado

Estou a torcer por Rio apesar do teimoso Rui

Meu Deus, eu, de esquerda, e só me faltava esta: sofrer pelo PSD... É um problema que se agrava. Antigamente confrontava-me com a fria ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, e agora vejo a clarividente e humana comentadora Manuela Ferreira Leite... Pacheco Pereira, um herói na cruzada anti-Sócrates, a voz mais clarividente sobre a tragédia da troika passista... tornou-se uma bússola! Quanto não desejei que Rangel tivesse ganho a Passos naquele congresso trágico para o país?!... Pudesse eu escolher para líder a seguir a Rio, apostava tudo em Moreira da Silva ou José Eduardo Martins... O PSD tomou conta dos meus pesadelos! Precisarei de ajuda...?

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Escapar à Síria para voltar à Arménia de onde os avós fugiram

Em 1915, no Império Otomano, tiveram início os acontecimentos que ficariam conhecidos como o genocídio arménio. Ainda hoje as duas nações continuam de costas voltadas, em grande parte porque a Turquia não reconhece que tenha havido uma matança sistemática. Muitas famílias procuraram então refúgio na Síria. Agora, devido à guerra civil que começou em 2011, os netos daqueles que fugiram voltam a deixar tudo para trás.