Um inesperado passo atrás no terceiro mandato de Rui Moreira

Autarca foi reeleito, mas a esperada vitória trouxe um inesperado revés: os resultados conhecidos ao fim da noite apontavam para Rui Moreira perder a maioria absoluta, falhando também outros dois objetivos assumidos: a primeira maioria absoluta na Assembleia Municipal e a vitória na mais populosa freguesia da cidade, Paranhos.

Rui Frias
Apesar do apoio efusivo quando saíram projeções, ansiedade tomou conta do resto da noite eleitoral na sede de Rui Moreira.

Acabou por ser bem mais longa do que esperado a noite eleitoral para Rui Moreira. Se a reeleição do autarca não estava em dúvida nem na mais "pessimista" das sondagens, a hipótese de perder a maioria absoluta na Câmara do Porto cedo transformou a esperada festa em indisfarçável ansiedade, que se prolongou noite dentro numas eleições que castigaram ainda o PS (pode perder dois mandatos) e mantinham em aberto, à hora de fecho desta edição, a hipótese de o Bloco de Esquerda eleger pela primeira vez um vereador na segunda autarquia do país.

Com a maioria absoluta conquistada em 2017, o movimento independente liderado por Rui Moreira, com o apoio de CDS e Iniciativa Liberal, não escondia para estas eleições a ambição de, pela primeira vez, obter uma maioria absoluta também na Assembleia Municipal e ganhar a mais populosa freguesia da cidade, Paranhos - cujo autarca, o social-democrata Alberto Machado, estava impedido de se recandidatar por ter atingido o limite de mandatos.

A noite acabaria por ser então, se não um balde, pelo menos um copo de água fria para Moreira, que parte para o terceiro mandato acossado pelo caso Selminho, mas a quem todas as sondagens davam uma confortável maioria. Não só não conseguiu ampliar o seu universo de influência na cidade - Paranhos continuou na esfera do PSD e na Assembleia Municipal deverá até perder mandatos - como pode ter visto fugir a maioria absoluta conquistada há quatro anos, pelos resultados conhecidos à hora de fecho desta edição, com a incerteza a prolongar-se até ao último voto.

Pouco depois de as projeções televisivas anunciarem a esperada vitória de Rui Moreira, Francisco Ramos, presidente da direção da Associação Cívica Porto, o Nosso Movimento, foi o primeiro a dar a cara para, em curta declaração, afirmar "grande satisfação" com a reeleição e anunciar que Moreira só falaria após ter resultados finais.

Ficou aí o mote para a longa noite de ansiedade na sede da candidatura nos Aliados - pouco abaixo do edifício a partir de onde Rui Moreira governa a cidade há oito anos -, apesar do entusiasmo popular das apoiantes do autarca que disputavam os melhores enquadramentos em frente às câmaras de televisão os seus pregões sonoros de apoio a Moreira, por entre sandes de presunto e mínis distribuídas pela entourage da candidatura.

Rui Moreira chegara à sede de campanha pouco depois do fecho das urnas, por volta das 20.05, com um máscara da presidência portuguesa do conselho da União Europeia que terminou em junho. À chegada, garantiu que se sentia "muito bem", depois de ter começado o dia "n[a Praia d]o Homem do Leme, a ver o mar", ter votado na secção 34 do Centro Escolar S. Miguel de Nevogilde, almoçado com a mulher, a mãe e as irmãs e tirado "uma soneca" durante a tarde.

Sem discurso escrito "porque dá azar", e ainda sem saber as projeções, garantiu: "Se Deus permitir, cumprirei o meu terceiro mandato até ao fim". Depois, fechou-se nos bastidores da sede, onde ainda recebeu "o abraço" do líder da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, e esperou, esperou, esperou... até à contagem do último voto.

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