Thomas Cook deixa dívidas a pelo menos 17 empresas do Algarve

Há empresas com créditos de quase dois milhões de euros. Governo deverá anunciar apoios.

O operador turístico britânico Thomas Cook, cuja falência foi decretada nesta segunda-feira, deixou dívidas a pelo menos 17 empresas hoteleiras com operação no Algarve. "Num primeiro apanhado confirmámos as nossas preocupações iniciais, há faturas emitidas e por pagar de muitos milhares de euros", avançou Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA). Segundo o responsável, "há 16 ou 17 empresas" que já assumiram que têm créditos por receber da Thomas Cook, mas ainda há "bastantes empresas para prestar informação", sendo que haverá algumas que não irão divulgar o impacto.

Elidérico Viegas adiantou ainda que as dívidas têm valores muito diferenciados, com hoteleiros a reclamarem pouco mais de mil euros e outros, num número reduzido, a apontarem para valores de quase dois milhões. No Algarve, grupos como o Vila Galé e o AP Hotels tinham relações contratuais com a Thomas Cook. Já na Madeira, os hotéis Pestana também integravam o catálogo do grupo turístico de origem britânica, mas de capital alemão. Nenhuma destas empresas quis comentar a falência do operador britânico, o segundo maior do mundo.

Paula Cabaço, secretária regional do Turismo da Madeira, já admitiu que receia o efeito de contágio da falência da Thomas Cook, que vendia anualmente cerca de quatro mil pacotes turísticos para a Madeira. Isto porque o grupo britânico é acionista da companhia aérea Condor, que liga oito vezes por semana o arquipélago à Alemanha, e do voo semanal de ligação a Copenhaga, na Dinamarca.

Elidérico Viegas chama a atenção para as consequências mais vastas desta falência. O grupo britânico tem operações na Polónia, Bélgica, Holanda e a falência destas subsidiárias terá repercussões negativas no turismo. A somar, recorda que há cada vez menos operadores turísticos e, com esta insolvência, alguns ficam numa situação de quase monopólio. "Será mais difícil de negociar" para as empresas e, no caso de uma nova falência, "os prejuízos serão ainda maiores".

Para apoiar os empresários, a AHETA vai propor ao governo a criação de um fundo de compensação, com um capital entre os 15 e os 20 milhões de euros, a que as empresas hoteleiras possam recorrer para suprir necessidades de tesouraria nos tempos mais próximos. O DN/Dinheiro Vivo sabe que a Secretaria de Estado do Turismo está a preparar um conjunto de iniciativas para apoiar os hoteleiros penalizados pela falência.

Segunda-feira negra

Segunda-feira foi um dia negro para a Thomas Cook e para o turismo a nível mundial. O grupo de origem britânica entrou em liquidação imediata, após não ter conseguido assegurar 227 milhões de euros (200 milhões de libras) em fundos para garantir a sua sobrevivência e reivindicados pela banca.

A operadora, que conta 178 anos de atividade, previa assinar nesta semana um pacote de resgate com o grupo chinês Fosun (dono da seguradora Fidelidade e maior acionista do BCP, entre outros interesses em Portugal). O plano previa a entrada de 1023 milhões de euros, mas foi adiado devido às exigências de bancos como o Lloyds e o RBS de que o grupo tivesse novas reservas para o inverno.

Desde o ano passado que a operadora britânica acumulava dificuldades financeiras. A falência deixou 600 mil turistas com a corda ao pescoço, alguns deles a terem de pagar pela segunda vez o seu pacote de férias para poderem sair dos hotéis onde estavam hospedados. A Thomas Cook empregava 22 mil trabalhadores, dos quais nove mil no Reino Unido. É detentora de 105 aviões e 200 hotéis.

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