Premium Quando a Gulbenkian tinha um pé em Bagdade e outro em Lisboa

A exposição Arte e Arquitetura entre Lisboa e Bagdade abriu na sexta-feira ao público no Museu Gulbenkian, a par de Pose e Variações - Escultura em Paris no Tempo de Rodin, e de A a C, de Ana Jotta e Ricardo Valentim.

Quem tem nas suas memórias de leitor a passagem das bibliotecas itinerantes da Gulbenkian até pelos mais recônditos cantos de Portugal encontra um par nos leitores iraquianos. Também por lá elas passaram, parte do trabalho diplomático e filantrópico da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1957 e 1973, enquanto explorou petróleo naquele país até à nacionalização da atividade.

Foi também a Gulbenkian que construiu em Bagdad o Estádio do Povo (Al-Shaab), então o maior do Médio Oriente, que inaugurou em 1966 com Eusébio na equipa do Benfica a estrear o relvado contra a seleção iraquiana. Tal como o Centro de Arte Moderna de Bagdad, que hoje se chama Gulbenkian Hall, e que foi a primeira grande obra da fundação no país. A par dessas obras maiores, a Fundação apoiou a construção de cerca de cem edifícios, entre eles hospitais e escolas.

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Legalização do lobbying

No dia 7 de junho foi aprovada, na Assembleia da República, a legalização do lobbying. Esta regulamentação possibilitará a participação dos cidadãos e das empresas nos processos de formação das decisões públicas, algo fundamental num Estado de direito democrático. Além dos efeitos práticos que terá o controlo desta atividade, a aprovação desta lei traz uma mensagem muito importante para a sociedade: a de que também a classe política está empenhada em aumentar a transparência e em restaurar a confiança dos cidadãos no poder político.

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Erros de um sonhador

Não é um espetáculo bonito ver Vítor Constâncio contagiado pela amnésia que tem vitimado quase todos os responsáveis da banca portuguesa, chamados a prestar declarações no Parlamento. Contudo, parece-me injusto remeter aquele que foi governador do Banco de Portugal (BdP) nos anos críticos de 2000-2010 para o estatuto de cúmplice de Berardo e instrumento da maior teia de corrupção da história portuguesa, que a justiça tenta, arduamente, deslindar.

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Por que não votam os açorianos?

Nesta semana, os portugueses, a ciência política em geral, e até o mundo no global, foram presenteados com duas ideias revolucionárias. A primeira, da lavra de Rui Rio, foi a de que o número de deputados do Parlamento fosse móvel tendo em conta os votos brancos e nulos. Mais brancos e nulos, menos deputados, uma versão estica-encolhe do método de Hondt. É a mesma ideia dos lugares vazios para brancos e nulos, que alguns populistas defendem para a abstenção. Mas são lugares vazios na mesma, medida em que, vingando a ideia, havia menos pessoas na sala, a não ser que se fizesse no hemiciclo o que se está a fazer com as cadeiras dos comboios da ponte, ou então que nestes anos com mais brancos e nulos, portanto menos deputados, se passasse a reunir na sala do Senado, que é mais pequenina, mais maneirinha. A ideia é absurda. Mas a esquerda não quis ficar para trás neste concurso de ideias eleitorais e, pela voz do presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, chega-nos a ideia de incentivar votos com dinheiro.