Joacine. Direção executiva do Livre adota lei do silêncio

A deputada continua a disparar sobre a direção do partido pelo qual foi eleita, afirmando-se mesmo vítima de um "golpe".

Nem mais uma palavra pública sobre o diferendo com a deputada Joacine Katar Moreira. A direção executiva do Livre - grupo de contacto, como oficialmente se designa - responde agora com o silêncio aos ataques de que continua a ser alvo por parte de Joacine Katar Moreira (JKC)

A decisão foi tomada no domingo numa reunião da assembleia do partido - o seu órgão máximo entre congressos. Nessa mesma reunião - a que JKC parcialmente assistiu, embora sem participar na votação final - foi deliberado que o conselho de jurisdição do partido analisará o caso. E o caso é o facto de a deputada se ter abstido num voto sobre a Palestina apresentado pelo PCP - quando esse voto deveria ter sido, no entender do grupo de contacto, favorável, tendo em conta o histórico das posições do partido sobre o assunto.

O voto foi aprovado pelos proponentes, a que se juntaram PS, Bloco de Esquerda, PCP, PAN e PEV. A direita votou contra (PSD + CDS + Chega + Iniciativa Liberal). E registaram-se duas abstenções: uma da deputada do Livre e outra de um deputado do PS (que nos registos online do Parlamento não está identificado).

No fim de semana, a direção do Livre e a deputada envolveram-se publicamente em trocas de acusações sobre o porquê desta votação. O grupo de contacto disse que JCK nunca lhe pediu informação sobre como votar; a deputada contra-argumentou dizendo que pediu orientação mas não teve resposta. Foi, aparentemente, a gota de água num mal-estar que já vinha de há muitas semanas.

Na segunda-feira, nova acha para a fogueira: através de um seu assessor na AR, Joacine fez saber que o seu caso só tinha sido enviado para o Conselho de Jurisdição do partido por "insistência" do principal fundador do partido, Rui Tavares (que está fora da direção executiva do Livre mas integra a sua assembleia).

Joacine poderá participará na discussão [sobre a Lei da Nacionalidade], mas se os diplomas [do BE, PCP e PAN] baixarem à comissão para discussão na especialidade não haverá um diploma do Livre incluído nesse processo.

E ontem de manhã outra novidade, através do DN e do Público: a deputada falhou a entrega em tempo útil, no Parlamento, do projeto de lei do partido para revisão da Lei da Nacionalidade - uma das principais bandeiras da sua campanha nas legislativas. A matéria vai ser discutida na AR no dia 11, com três projetos em cima da mesa: BE, PAN e PCP.

O do Livre, ontem entregue, já não chegou a tempo - e vários grupos parlamentares opuseram-se a que fosse incluído na agenda. Joacine poderá participar na discussão, mas se os diplomas baixarem à comissão para discussão na especialidade não haverá um diploma do Livre incluído nesse processo.

"Nunca imaginei que um mês depois das eleições - não é um ano, é um mês - eu ia estar a ser avaliada e colocada numa situação destas pelos meus camaradas."

Ontem de manhã, em declarações ao Notícias ao Minuto, a deputada continuou a disparar ferozmente sobre a direção executiva do partido.

Segundo disse, está a ser vítima de um "autêntico golpe". "A minha resposta é esta: não sou descartável e exijo respeito", afirmou. Para concluir: "Nunca imaginei que um mês depois das eleições - não é um ano, é um mês - eu ia estar a ser avaliada e colocada numa situação destas pelos meus camaradas."

A deputada afirmou que as "dificuldades de comunicação com a direção do partido" já existiam durante a campanha eleitoral. "Não me senti sozinha no partido, senti-me abandonada pela direção de campanha, que não tinha uma estratégia para que eu ganhasse. Não houve esse investimento, não houve esta confiança de que havia alguma hipótese de ser eleita."

A todas estas acusações, a direção executiva do Livre respondeu zero. Já na segunda-feira, Rui Tavares tinha dito ao DN que não comentaria a acusação de JKM segundo a qual foi por sua "insistência" que o caso seguiu para o conselho de jurisdição do Livre.

A acusação de "golpe" configura já uma situação de rutura insanável entre a deputada e a direção do partido. O DN perguntou a JKM se esta pondera agora assumir o estatuto de deputada independente. Sem resposta.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG