PS quer combater alterações climáticas: reciclar águas residuais e mais carruagens para comboios

Socialistas divulgam projeto de programa nesta área para debate público. Uma melhor utilização da água e a promoção do transporte de qualidade, dando uma "forte prioridade à ferrovia", são as duas linhas principais para esse combate.

O PS quer uma melhor utilização da água e a promoção do transporte de qualidade, dando uma "forte prioridade à ferrovia", para melhor combater as alterações climáticas, apontou ao DN o diretor do gabinete de estudos do PS, João Tiago Silveira.

Segundo as linhas principais definidas no projeto de programa eleitoral do PS para as alterações climáticas, que agora será objeto de debate público, haverá lugar, se os socialistas forem governo, para "melhor utilizar a água que temos", com uma atuação contra as descargas, a reutilização de águas residuais e combater as perdas de água no abastecimento público. Na ferrovia, a aposta passa por expandir a rede ferroviária e comprar mais carruagens, para fazer face ao aumento da procura de transportes, estimulando a produção industrial nacional de material circulante.

No seu projeto, o PS define "uma linha muito clara de atuação contra as descargas". Segundo as propostas, apresentadas no site do partido um pouco antes da meia-noite desta quarta-feira, os socialistas querem rever as licenças de captação e descarga dos grandes operadores económicos, "com base no conhecimento do meio recetor", ou seja, explica Tiago Silveira, "da capacidade de absorção de descargas de um rio e dos efeitos nas alterações climáticas".

A acompanhar esta medida, o PS quer reforçar os meios de fiscalização e inspeção das captações e descargas.

Outra medida para ajudar ao combate das alterações climáticas passa pela necessidade de aumentar a resiliência dos sistemas de abastecimento público de água. Com um objetivo particular: reduzir as perdas de água do sistema. Segundo o diretor do Gabinete de Estudos, a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) "diz que a perda de água nos circuitos urbanos de distribuição é de 30%, o que é bastante impressionante".

João Tiago Silveira recorda ao DN que, nos debates públicos que fizeram por todo o país, "foi um aspeto muito referido", nomeadamente "a necessidade de um investimento na rede por causa das perdas de água do sistema". "Sabemos que esse é um aspeto crítico para lidar com as alterações climáticas", aponta.

O PS propõe-se levar a cabo uma "estratégia nacional para a reutilização das águas residuais" e "executar um plano de ação para as 50 maiores estações de tratamento de águas residuais (ETAR) urbanas, para utilizar as águas residuais dessas ETAR para outros fins".

Os exemplos dados pelo coordenador do programa eleitoral socialista apontam para a rega, o abastecimento de viaturas bombeiros, a lavagem da via pública e a lavagem de automóveis. "Ou seja, dar um novo aproveitamento à água tratada nas ETAR numa lógica de economia circular e reutilizá-la para outros fins. Estes processos de reutilização de águas residuais ainda não se fazem na generalidade, há um ou outro, mas não na generalidade", regista. "Recentemente foi aprovado um quadro legislativo para permitir que isto seja possível mas agora é tempo de reconverter estas ETAR para que as águas que são tratadas nestas 50 estações sejam reutilizadas", acrescenta.

Também em parceria com as autarquias locais, o programa do PS aponta a expansão de uma rede pública de fontes e bebedouros, "eventualmente com uma localização georreferenciada com uma aplicação eletrónica, para que as pessoas saibam onde podem encher o cantil ou beber água".

PS quer promover um "transporte de qualidade"

No capítulo da promoção do transporte de qualidade, com prioridade à ferrovia, o PS propõe a redução do nível de emissões através de uma maior utilização de comboios, "que são mais eficientes do ponto de vista ambiental e utilizam, na sua maioria, energia elétrica".

"Propomo-nos adotar um Plano Ferroviário Nacional com dois objetivos", revela João Tiago Silveira: "Orientar as opções de investimento no longo prazo na ferrovia, para que as decisões fundamentais de investimento permaneçam, sejam de longo prazo, não fiquem ao sabor das legislaturas" e, por outro lado, "para o desenvolvimento de uma capacidade industrial nacional para passar a produzir material circulante", nomeadamente carruagens e locomotivas.

O PS quer ainda insistir numa das suas bandeiras da atual legislatura, que é a redução dos preços dos passes, com a manutenção da redução dos preços desses títulos de transporte "em todo o território", "para favorecer a utilização do transporte público em vez do transporte individual".

Outra medida passa pela discriminação positiva de pessoas com mobilidade reduzida, nomeadamente com deficiência.

"Uma outra afirmação que fazemos no programa é responder ao aumento da procura dos transportes públicos com investimento na expansão das redes ferroviárias no território nacional e a aquisição de mais carruagens", aponta Silveira.

Neste capítulo dos transportes públicos com qualidade, o PS mantém a aposta das frotas com veículos elétricos e o desenvolvimento de sistemas de bilhética integrada e desmaterializada.

Por último, os socialistas defendem a criação de um "sistema universal integrado de pagamento dos operadores de transportes", para que os cidadãos possam aceder aos serviços de transportes públicos, mas também aos serviços de estacionamento, portagens, aluguer de veículos partilhados ou carregamento de veículos elétricos. "Uma integração dos passes e bilhetes e de todo o sistema de mobilidade", conclui João Tiago Silveira.

Este projeto de programa para as alterações climáticas é o segundo principal desafio discutido, no passado sábado, dia 22, em Faro, numa convenção temática, e vertido agora em texto, depois de um primeiro projeto dedicado às desigualdades. O objetivo, explica o diretor do Gabinete de Estudos do PS, é partilhar o programa para que seja melhorado.

No próximo sábado, Portalegre acolhe a convenção temática sobre demografia - que depois passa ao papel na quarta-feira seguinte - e, por fim, no dia 6 de julho, em Braga, há lugar à discussão da sociedade digital. No dia 20 de julho, uma convenção nacional dará corpo ao programa eleitoral final com que o PS quer renovar o seu mandato no governo.

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