Europa e energia são o prato forte das 10 horas de Macron em Lisboa

Europa, Europa e Europa. É este o tema central da visita do presidente francês à capital portuguesa nesta sexta-feira. Começa na Fundação Gulbenkian, onde visita a exposição Pós-Pop e debate com António Costa os desafios europeus, e termina na Agência Europeia de Segurança Marítima, com almoço em São Bento pelo meio.

Emmanuel Macron encontrou-se na quinta-feira em Madrid com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e menos de 24 horas depois, a partir das 16.00, voltam a estar juntos. Se no Palácio da Moncloa a imigração e a reforma da União Europeia foram os temas centrais da reunião, a presença dos dois líderes no edifício do Cais do Sodré é motivada por outro tema de interesse comum: a ligação energética da Península Ibérica a França.

Na cimeira das interligações energéticas prevê-se um acordo entre Portugal, Espanha e França para quintuplicar a capacidade de ligação de eletricidade entre os países, em resposta à meta fixada pelo Conselho Europeu, de possibilitar o transporte transfronteiriço de energia em pelo menos o equivalente a 10% da potência instalada no país, até 2020.

Neste momento a interligação energética de França com Espanha não passa dos 3%.
O aumento da capacidade de transporte de energia é também uma antiga reivindicação portuguesa, tendo em conta o potencial de exportação do setor, graças à produção de energias renováveis.

Alinhamento de Lisboa a Paris

António Costa e Emmanuel Macron reencontram-se pela terceira vez no mesmo dia na Agência Europeia de Segurança Marítima.
Juntos com Pedro Sánchez representam, neste momento, um "alinhamento de posições" sobre os temas mais importantes, o que é visto pelo ministro da Economia português, Manuel Caldeira Cabral, como "um importante sucesso na política europeia".

No encontro participam igualmente o primeiro-ministro português, António Costa, o comissário europeu para a Ação Climática e Energia, Miguel Arias Cañete (em representação do presidente da Comissão Jean-Claude Juncker), e a vice-presidente do Banco Europeu de Investimento, Emma Navarro.

Antes, às 13.30, o governante português e o chefe do Estado francês estão juntos para um almoço de trabalho. No Palácio de São Bento, o encontro decorre "sem agenda fechada", informou ao DN a assessoria de imprensa do primeiro-ministro. As relações bilaterais e os principais temas da agenda europeia e internacional farão parte das conversas.
É de prever que os temas que motivam o encontro franco-espanhol - a imigração e a reforma da União Europeia - sejam debatidos.

Em mais de uma ocasião, Emmanuel Macron estabeleceu como prioridades da reforma das instituições europeias tendo como objetivo a estabilidade da zona euro, a melhoria da competitividade e mais segurança com uma nova política de asilo comum e melhor proteção das fronteiras.

Visita privada, debate público

Debate é a palavra para definir o encontro com os cidadãos promovido pelo governo português e que junta Emmanuel Macron e António Costa no grande auditório da Fundação Calouste Gulbenkian. Os Desafios da Europa é o título genérico que junta os dois dirigentes a partir das 11.00, num encontro que será moderado pela editora executiva do Diário de Notícias Helena Tecedeiro.

A chegada do líder francês à Fundação Calouste Gulbenkian está agendada para as 10.30. Com trinta minutos até ao encontro com os cidadãos, a presidente do conselho de administração, Isabel Mota, na companhia do primeiro-ministro, faz as honras à casa e mostra a Macron, em visita privada, a exposição Pós-Pop. Fora do Lugar Comum , soube o DN.

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João Gobern

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