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Crianças e jovens em perigo

A história de Maria, que espera há dois anos que o Estado lhe trace o destino

Maria, quase 4 anos, aguarda por uma decisão do seu caso há dois anos. Está com uma família temporária, depois de ter sido retirada à mãe em emergência aos 15 meses. E o temporário eterniza-se.

Sofia e Duarte Ramos tinham um projeto de vida: acolher crianças em perigo. Queriam ser família de acolhimento, mas ficaram com a medida jurídica de "confiança a pessoa idónea" de Maria, vamos chamar-lhe assim, que receberam aos 15 meses. Era para ser por um mês, depois passou a ser por mais três, e já lá vão dois anos. Maria está crescer, feliz, quase com 4 anos, chama tia a Sofia, pai a Duarte e quer chamar manas às três filhas de ambos. Começa a fazer perguntas: "Tia, tu vais adormecer-me sempre, não vais?" ou "tia, este quarto vai ser sempre meu?".

Perguntas que ficam sem resposta e que trazem angústias e preocupações reforçadas a Sofia e Duarte, mas que Maria, inteligente como é, insiste em fazer. Um e outro acreditam que o projeto de vida para Maria já poderia estar traçado. O deles é o de acolher crianças de forma temporária, portanto, com eles não poderá ficar. Por isso, acreditam que Maria já poderia estar com uma outra medida que não fosse de acolhimento em casa de pessoa idónea. E quanto mais tempo passa... "pior é para ela. Está a perder tempo de integração numa outra família", explicam-nos.

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