Premium O algoritmo mau e os capuchinhos vermelhos

Antes de começarem a ser filmadas e transmitidas, as advertências alarmistas e simplistas declamadas com sentido de dever cívico não se costumavam chamar "documentários". Mesmo depois de começarem a apontar-lhes câmaras, muitas tiveram o cuidado de escolher designações mais modestas e realistas, como "anúncios", ou "direitos de antena". Um dos mais populares, sobre os perigos da droga, passou nas televisões americanas nos anos de 1980 e foi depois imortalizado em inúmeras paródias e recriações; mostrava um ovo a ser despejado numa frigideira quente: "This is your brain on drugs", informava uma voz solene.

The Social Dilemma (Netflix) não é um "documentário", embora seja essa a categoria mais conveniente para o encaixar, talvez porque "advertência alarmista e simplista" não é tão apelativa e ocupa demasiados caracteres. Promovido na internet, distribuído por uma plataforma de streaming, visto por milhares de espectadores em ecrãs e periféricos diversos, e amplamente comentado em várias redes sociais, consiste em hora e meia de depoimentos e encenações dramáticas alertando as pessoas para o que as frigideiras da internet, das plataformas, dos periféricos e das redes sociais andam a fazer aos nossos cérebros. "Os jovens estão viciados em likes" é uma de várias conclusões revolucionárias. Ao fim de hora e meia, a Netflix pede simpaticamente que avaliemos o conteúdo com um polegar virtual.

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